Historias

quinta-feira, 29 de maio de 2014

PS. Eu Te Amo - Capitulo 18

Nicholas : O que houve com seu rosto? - Perguntou, após entrar na sala de Joseph.

Joseph tinha o lábio inferior inchado, vermelho e inflamado. A face esquerda tinha uma forte mancha vermelha, estampada da pele pálida. Joseph sorriu, e Nicholas  viu os talhos que os dentes de Demetria deixaram na mordida.


Joseph: Minha esposa tem um temperamento difícil. - Explicou, dando de ombros - Eu não entendo o porque disso tudo. Tudo bem, eu errei redondamente, mas ela parece mudar de uma hora pra outra.

Nicholas  observou Joseph por um instante. Joseph parecia pensar. Nicholas  avaliou o borrão vermelho no rosto dele, e pensou na briga que deveriam ter tido. Joseph o observou, e viu ele respirar fundo, parecendo procurar palavras.


Nicholas : Joseph, porque as pessoas se casam? - Perguntou, desabotoando o terno.

Joseph: Amor? - Perguntou, estranhando a pergunta.

Nicholas : Também. - Disse, e pôs as mãos nos bolsos da calça - Mas, pense comigo. Venha, olhe lá fora. - Joseph girou a cadeira e se deparou com a parede de vidro de seu escritório. Principalmente se via o céu, pela altura. Mas, lá embaixo, o centro da cidade, em sua agitação normal - Veja quantas vidas.

Joseph: E... - Perguntou, se sentindo um passo atrás. Nicholas  o fazia se sentir assim freqüentemente. Ele não gostava disso.

Nicholas : As pessoas vem e vão o tempo todo. - Disse, olhando a cidade pela vidraça - A vida passa despercebida. Quando você se casa, você está garantindo que a sua vida não vai passar despercebida. Vai haver sempre uma testemunha pra ouvir seus problemas, compartilhar suas alegrias. - Ele respirou fundo - Quando você se casa, faz uma promessa: "Sua vida nunca ficará sem testemunhas, porque eu serei sua testemunha." - Concluiu.

Joseph: E Demetria... - Começou, entendendo.


Nicholas : A vida de Demetria passou despercebida tempo demais. Não houve ninguém pra abraçar ela em uma noite de chuva, ou pra fazer companhia. Não houve ninguém pra testemunhá-la. - Ele se virou, dando as costas a Joseph - Você prometeu ser a testemunha dela. Você falhou.

Joseph: Então ela não confia. - Concluiu.

Nicholas : Ela se recolheu em um casulo forte e firme pra se proteger. Agora você chegou com um canivete afiado e quer cortar o casulo dela. Ela se acostumou a ser sozinha.

Joseph: Mas eu tento me aproximar, tento ser o marido dela. Ela é que não permite. - Disse, mostrando a face esquerda do rosto, com um sorriso debochado.

Nicholas : Ela não permite porque ela não entende. - Disse, recolhendo uns papéis - Você simplesmente arrasou a vida dela, sumiu, e voltou como se nada tivesse acontecido. É claro que ela não vai perdoar. Não do modo como você tá tentando.

Joseph: Entendo.

Nicholas : Você já tentou se justificar? Contar seu lado da história? Bom, se houver um lado bom nessa história vindo da sua parte. - Censurou.

Joseph: Não. Eu pensei que não tocar no assunto fosse a melhor maneira.

Nicholas : Esse é o problema. Do jeito que está, você está dando facada em água. - Disse, se encerrando.

Joseph: Falando em problema. - Sorriu, olhando a vidraça. Um taxi parou na frente da empresa, e Demetria saiu dele, um sobretudo preto, salto alto, os cabelos sendo levados pelo vento. Parecia furiosa. Ele sabia porque.

Nicholas : Boa sorte. - Desejou, olhando Demetria, que sumiu na recepção do prédio. Então saiu da sala.

Joseph sorriu consigo mesmo, e deu a volta na cadeira, virando-se pro seu escritório. Não mexeu em nada. Apenas esperou que Demetria aparecesse pela porta. Seria um lindo flashback de quando ela ia atrás dele no trabalho, irritada. Joseph sorriu com as lembranças, e esperou.

Demetria entrou no escritório como um furacão. A porta bateu atrás de si, e Joseph se deslumbrou de como a fúria a deixava linda. Os olhos dilatados, os cachos caindo no sobretudo preto, aberto, que mostrava um Jeans escuro e uma blusa preta, com decote em V.

Joseph: Surpresa agradável. – Disse, sorrindo pra ela.

Demetria: Que palhaçada é essa? – Perguntou, direta, lançando mão de vários papeis na mesa dele.

Joseph olhou, só por olhar. Eram as contas dela. Demetria acordou as pressas pra sair e pagar as contas, mas encontrou todas pagas. Água, luz, gás, até a conta do celular dela. Joseph sorriu.


Joseph: São contas. – Disse, se fazendo de desentendido.

Demetria: Não quero brigar com você hoje. – Disse, cansada, tirando algo do bolso interno do sobretudo.

Joseph: E isso é bom. Pra nós dois, pra minha saúde física. Bom em geral. – Brincou.

Demetria tirou um cheque pronto do bolso da jaqueta e jogou na mesa dele. Joseph olhou, já sem o sorriso, e apanhou o papel.

Joseph: Assim você me ofende. – Disse, enquanto rasgava o cheque, sem nem olhar o valor.

Demetria: São minhas contas. Eu pago. – Disse, tirando o talão de cheques do bolso.

Joseph: Eu vou rasgar de novo. – Avisou, se recostando na cadeira. Demetria suspirou.

Demetria: Eu vou pagar em dinheiro. Rasgue, e será problema seu. – Disse, guardando o talão de cheques.

Joseph: E encontrará o dobro da quantia dentro da caixa de um dos seus sapatos. – Disse, tranqüilo.

Demetria: VOCÊ É INSUPORTÁVEL! – Gritou, exaltada.

Joseph tomou fôlego pra rebater, então viu Nicholas , fechando a porta que Demetria havia deixado aberta. Nicholas  o encarou, calmamente, e fechou a porta. Joseph respirou fundo e desistiu de falar.


Joseph: Paciência, Ma Belle. – Pediu, quieto na cadeira.

Demetria: Eu odeio você. – Disse, ofegando de raiva.

Joseph: Na verdade, você me ama. – Corrigiu, calmo, se inclinando sobre a mesa.

Ele viu o olhar de Demetria recair na mesa, e ela parou por um instante. Ele sorriu. Sabia do que ela estava lembrando. Já havia lhe feito amor naquela mesa, várias vezes. Demetria recuou um passo, na defensiva, e Joseph espalmou a mão forte, a aliança reluzindo no dedo, na mesa. Demetria o encarou, furiosa, e então saiu, batendo a porta com força. Joseph riu. Demetria apanhou o táxi e voltou pra casa. Precisava fazer algo, pensou, enquanto andava de um lado pro outro. Não conseguia pensar em nada. A única idéia era fugir do país. Mas não iria, não agora que sua carreira dera certo. Então o interfone tocou.


Demetria: Sim? – Perguntou, após atender.

Porteiro: Tem uma senhorita aqui que diz que tem uma encomenda pra senhora.

Demetria: Encomenda? – Perguntou, confusa – Deixa subir.

Demetria desligou o interfone e tirou o sobretudo, procurando relaxar. Logo a campainha tocou. Demetria avançou, os saltos fazendo um barulho leve no chão, e abriu a porta. Lá havia uma morena, os cabelos em um tom meio cobre e meio achocolatado. Seus olhos eram castanhos, a pele era delicada, era linda. Usava uma camisa de botões, branca, e tinha os primeiros botões abertos. A calça era linho preto, e um tamanco branco. O principal: não havia encomenda alguma em suas mãos.

Demetria: Pois não?

Ashley : Demetria me chamo Ashley . – Demetria assentiu – Vim a mando de Joseph.

Demetria: Para?

Surpreendendo Demetria, Ashley  entrou no apartamento. Demetria ergueu as sobrancelhas, e fechou a porta.


Ashley : Sou arquiteta. Joseph me pediu para avaliar o escritório dele e mandar fazer as alterações, de um modo que não atinja seu ateliê e não prejudique o escritório dele. – Resumiu. Demetria levou aquilo como um tapa na cara. Joseph era doente ou o que? – Onde fica o escritório? – Perguntou, educada.

Demetria: Olha, eu sinto muito, mas...

Ashley : Desculpa, Demetria, eu sei Joseph é difícil, mas ele é ainda mais difícil com quem não cumpre suas ordens. – Justificou. Demetria assentiu.

Demetria: Ali. – Apontou. Ashley  agradeceu e sumiu pela porta indicada.

Demetria ficou sozinha, mortificada com isso. Então pegou o sobretudo no sofá, as chaves do carro, e saiu desembestada. Ashley  ouviu isso do ateliê, enquanto avaliava a sala. Pegou um pequeno celular, discando alguns números.


Ashley : Joseph? – Joseph respondeu - Ela fugiu de novo. – Avisou, tranqüila.


Próximo Capitulo...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

PS. Eu Te Amo - Capitulo 17

Demetria emSterlingu no lugar, olhando pra frente. Sterling olhou em volta. Nicholas  avançou, sendo barrado por Sterling. O louro encarou Nicholas  brevemente, e o olhar o mandava ficar, então saiu, sumindo na porta da cozinha. Demetria tinha a maxilar trancada, o nariz inflado, e Nicholas  apenas observava, o rosto impenetrável.

Demetria ficou empedrada no lugar. E se Joseph estivesse agarrando Selena? Sterling lhe diria. Mas como chegaria a dizer? Aliás, Nicholas  lhe diria se soubesse onde Joseph tinha estado, não diria? Mas não disse. Demetria saiu em retirada imediatamente, correndo, e Nicholas  se manteve em seu lugar. Descobriu que precisava ver com seus olhos, não acreditaria em nada que Sterling lhe dissesse. Demetria alcançou Sterling no corredor.

Demetria: Sai. – Murmurou, e Sterling, respirando fundo, saiu da frente.

Demetria abriu a porta, e se deparou com a cozinha. Selena estava encolhida em um canto, com a cara absurdamente enfezada, como se não quisesse estar ali. E não queria. Só estava pelo maldito molho, que ela mexia em fogo brando, quatro vezes no sentido anti-horário e duas no horário. Joseph estava no outro canto da cozinha, a cara dentro do armário, os braços remexendo as coisas. Demetria quase cambaleou de um sentimento que ela não soube descrever. Alivio, talvez. Dor, principalmente. Joseph estava concentrado, não a viu. Ela viu quando o nariz dele se mexeu minimamente, e ele sorriu levemente. Sentira o cheiro dela.


Eu somente quero ir pra casa
Sinto sua falta, você sabe. ♫

Joseph: Amor, onde você pôs o saca rolhas? – Perguntou, olhando o armário.

Demetria: Não sou seu amor. – Corrigiu, a voz meio mortificada, enquanto avançava na cozinha. Sterling estava parado na porta da cozinha, encostado na porta. Ela abriu uma gaveta perto de onde ele estava e tirou o objeto prateado, pondo-o em cima do batente, perto de Joseph – E aqui está.

Joseph: Sim, é o meu amor. – Rebateu, mordendo a orelha dela, que se afastou.

Demetria: Vá pro inferno, Joseph. – Mandou, emburrada. Joseph riu, apanhando o saca rolhas.

Demetria viu Joseph avançar pra fora da cozinha, e ia levando ela. Então se adiantou, fugindo do toque dele, e saiu pelo corredor, deixando Sterling e Selena pra trás.

A noite percorreu, surpreendendo Demetria, normal e agradável. Uma vez que ela conseguiu se acalmar, as coisas fluíram. Selena se aninhou ao lado de Nicholas  e simplesmente se reservou a não olhar nem falar com Joseph. Mas este conversava com os outros, ria, era até agradável. Ele e Sterling formavam uma ótima dupla, Nicholas  era mais reservado. Então se fez hora de partir. Todos foram embora, e sobraram Demetria e Joseph, sozinhos no silêncio, novamente. Demetria recolheu a louça, pondo-as na pia. Joseph a observava ir e vir, então ela não veio mais. Ele foi atrás dela. Ela estava com uma bandeja na mão, raspando os pratos, em seguida colocando-os na maquina de lavar louça.

Eu continuo guardando as cartas que eu te escrevi.
Cada uma com uma linha, ou duas.
“Eu estou bem, meu amor, como você está?” ♫

Demetria: Pelo amor de Deus! – Exclamou, se apoiando na pia pra se recuperar do susto de vê-lo parado ali.

Joseph: Porque não o deixa ai? – Perguntou, calmo.

Demetria: Gosto de dormir com a casa em ordem. – Justificou, curta, enquanto colocava a ultima travessa na entrada de louças. O objeto logo sumiu.

Joseph observou Demetria jogar os restos de comida no triturador, e por a travessa pra lavar. A pia terminou limpa. Ela abriu o jato de água e, Joseph não sabia para quê, já que as mãos dela estavam limpas, lavou-as.


Demetria: Precisamos conversar. – Disse, secando as mãos.

Joseph: De acordo. – Disse, surpreso.

Demetria: Não é o que pensa, não crie ilusões. – Cortou, dura. – Você está aqui. E precisará de um lugar pra dormir, a não ser que queira ficar no sofá. A mim, me dá igual. – Esclareceu, saindo dali.

Joseph sorriu e acompanhou Demetria pelo corredor, enquanto a loura avançava pro seu quarto. Ela prendeu os cabelos relaxadamente, e ele observou com fascínio. Então ela parou em seu quarto.

Joseph: Não vejo o problema. Vou dormir no meu quarto, com a minha mulher.

Demetria: Olhe, eu estou cansada. – Um trovão soou lá fora. A chuva era cruel. – Eu estou cansada.

Joseph: Demetria, eu não costumo deixar as coisas inacabadas. Trabalhos. Meu casamento. – Comentou, com a mão no bolso. Demetria suspirou. – Hoje eu comecei algo, e fui interrompido. Eu não gosto de ser interrompido.

Bem sei que deveria te enviá-las, mas sei que isto não é o bastante.
Minhas palavras são frias e vazias,
E você merece mais que isto ♫

Demetria: Eu não... o que...?

Joseph: Vamos, Ma Belle. Você consegue. – Incentivou. Demetria o olhava, cansada, com sono, sem querer se dar ao trabalho de pensar – Pois bem. Vai lembrar, de qualquer modo. Eu não deixo as coisas inacabadas. Eu comecei, eu vou terminar.

Demetria não viu nada. Ele só avançou até ela, um braço forte a abraçou pela cintura, e ele aproximou seu rosto do dela, deixando-o a milímetros de distancia. Ele abriu os olhos um instante para encará-la, viu a surpresa nos olhos dela, e em seguida a beijou.

O beijo não era agressivo. Era a continuação do beijo do sofá. Calmo, doce, terno. E um turbilhão de imagens na cabeça de Demetria. Os primeiros dias, o casamento, a mudança pro apartamento, as noites incansáveis de amor nos braços dele... nos braços dele... Selena nos braços dele, na sala dela. A dor. A solidão. Desespero. Então Demetria apanhou o lábio inferior dele entre os dentes e o mordeu com toda a força que conseguiu reunir. Joseph grunhiu e se afastou dela, surpreso, sentindo o sangue inundar sua boca rapidamente.

Me deixe ir pra casa.
Eu estou tão longe de onde você está,
Mas eu quero ir pra casa ♫

Joseph: Hum... – Ele passou a mão na boca. A mão voltou toda borrada de sangue – Minha pequena tigresa selvagem, agora até morde? – Perguntou, sorrindo, enquanto o sangue escorria pelo canto da sua boca.

Demetria: Eu falo sério quando digo não, Joseph. – Disse, recuando, nauseada. – Quer o quarto? Fique com ele. Mas me deixe em paz. – E tomou a direção pra fora do quarto.

Joseph não estava raciocinando direito agora. Demetria o confundia. Uma hora, entregue em seus braços. Na outra, furiosa. Ele viu ela sair a passadas largas. Engoliu o sangue que continha na boca, sentindo o gosto metalizado, e agarrou o braço dela antes que saísse de seu domínio.


Joseph: Pela força não vai ser, Ma Belle. Eu não tenho medo da dor. – Disse, mantendo-a no quarto.

Demetria: Você não sabe o que é dor. – Rebateu, encarando-o, e o azul dos seus olhos estava empedrado. – Me largue. – Ela puxou o braço com força, mas ele não soltou. – Joseph, me largue. – Rosnou

Ele apenas encarava ela, como se tentasse entender algo no olhar dela. Demetria esperou um instante. O ódio amargo em sua boca. Então reuniu suas forças, uma vez mais, e deu um tapa no rosto dele. Não um tapa delicado, mas um tapa agressivo. Joseph recuou, surpreso, sentindo a dor no rosto se acumular a da boca. Quando olhou a direção dela, já havia ido.

Demetria dormiu no sofá. Nem pro quarto de hospedes foi, pra evitar qualquer proximidade com ele. Joseph precisou de bastante tempo pra estancar o sangramento na boca. A madrugada caiu, e ele andava de um lado pro outro, pensando. Só quando o dia foi amanhecendo ele foi até a sala e carregou uma Demetria adormecida, pondo-a com todo cuidado na cama. Quando Demetria acordou, e se deu conta de onde estava, ele já havia saído. 

Proximo Capitulo...

Como prometido ai estáaaaa divulguem o blog estou muitooo feliz com os comentarios de vocês a Historia está apenas começando !!!! até amanhã !! 

PS. Eu Te Amo - Capitulo 16

Joseph: Nicholas ? – Perguntou, confuso, vendo-o lá. Demetria olhou pra trás da sala, encarando o marido, confusa, depois voltou-se para encarar Nicholas . Desde quando ele conhecia Joseph? Selena teve um estremecimento desagradável ao ouvir a voz de Joseph.

Selena: Antes de qualquer coisa, Sterling nos obrigou a vir. – Justificou em voz baixa. – Ele chama isso de “trabalho de emergência.”. – Demetria ergueu a sobrancelha.

Demetria: Emergência para...?

Selena: Eu contei a ele sobre o éter, para impedir que ele realmente tocasse fogo na tela. Ele já estava com um isqueiro e álcool na mão. – Justificou – Então ele disse que apesar de você não merecer, que nós íamos ajudá-la. – Falou, enquanto dava espaço para Sterling e Nicholas  entrarem – Pra não te deixar tempo demais com ele. – Ela acenou na direção de Joseph discretamente, ainda sem olhá-lo. Demetria riu de leve, coçando os olhos.

Demetria: Eu não preparei o jantar. – Se justificou, se afastando de Selena.

Sterling: Eu trouxe. – Disse, satisfeito. Então Demetria reparou nas bandejas na mão dele. Só que ele olhou pra Nicholas  que estava, tranqüilo, com as mãos no bolso. – Cadê?

Nicholas : No corredor. – Respondeu, apontando com os ombros – Eu disse que não ia carregar aquilo. – Lembrou. Sterling revirou os olhos.

Demetria olhou a bandeja nos braços de Selena. Então intimou Sterling com um olhar fulminante pro corredor. Joseph parecia absurdamente a vontade, ainda sentado no sofá. O louro foi, tranqüilo.

Demetria: Que idéia foi essa? – Perguntou, em voz baixa, pegando o que Nicholas  largara no chão do corredor.

Sterling: Estou te ajudando. Agradeça por isso. – Demetria riu de leve. Sterling era inacreditável. – E outra coisa, resolva logo isso. Não vou vir pra cá toda santa noite, eu tenho o que fazer.

Demetria: Você é patético.

Sterling: Eu sou. Mas eu juro que na hora que abriu a porta, você estava corada. Corada demais, Demetria. – Ressaltou. Demetria não disse nada. Apenas tentou abraçar a grande bandeja no chão – Seus lábios pareciam úmidos também.

Demetria: E o que mais, a raiz do meu cabelo tava mais opaca? – Perguntou, se irritando.

Sterling: Não, não reparei nisso. – Disse, tranqüilo – Mas nada pode te ajudar se você não quer ajuda. – Concluiu.

Demetria digeriu aquilo como quem engole um pedaço de gelo. Descendo pela garganta, abrindo espaço, queimando. Era a mais pura verdade. Apesar de tudo que Joseph lhe fizera, baixara a guarda pra ele, fora simpática, amável. Se deixara acariciar e beijar. Ela ergueu o rosto, mas Sterling já havia saído. Ele se virou na porta do apartamento e encarou ela, os olhos azuis reforçando o aviso. Então sumiu pela porta e deixou ela no corredor, sozinha com seus pensamentos.

Logo o jantar foi servido. Demetria e Selena se encarregaram de preparar as travessas, enquanto os homens conversavam na sala. Sterling comprara massas, vários tipos de molho e uma garrafa de vinho. Demetria e Selena se revezaram com os pratos e os acompanhamentos, os molhos e as taças, pondo a mesa. Demetria só deixou Selena sozinha um minuto. Precisava saber algo.

Demetria: Nick. – Nicholas  se aproximou, elegante na camisa preta, que entrava em contraste com sua pele branca – Você o conhece? – Perguntou, indicando Joseph, que conversava com Sterling.

Nicholas : Eu trabalho com ele. – Respondeu, quieto.

Demetria recebeu mais essa pela cara. Como assim Nicholas  trabalhava com Joseph? Todos esses anos e nunca, nunca lhe disse nada.


Demetria: Você nunca me disse nada. – Disse, abobada.

Nicholas : Você não precisava saber. Pra que, Demi? Ele foi embora, e se conectava comigo por emails, e telefonemas. Eu tinha que juntar os pedaços de Selena, e os seus, e montar tudo no lugar. De nada serviria a ansiedade dele voltar a qualquer momento pra derrubar o que eu estava montando. – Ele tocou o queixo dela.

Demetria: Eu não... não posso crer.

Nicholas : Ele queria noticias suas, três vezes por semana. Geralmente nas segundas, quartas e sextas. – Demetria riu de leve da cara do amigo – Então eu dizia que você estava bem. Lhe contei cada passo seu. – Demetria o observava. Como Nicholas  conseguira? Parecia tão convicto, tão inocente quanto ela, mas tinha contato, sabia onde Joseph estava.

Demetria: Sabia que ele ia voltar? – Perguntou, olhando-o.
Nicholas : Não, teria te avisado se o soubesse. Ele só pediu pra que eu segurasse as coisas por um tempo, que ele iria viajar. E eu o fiz. Meu trabalho, e o dele. Era normal, ele trocava de país regularmente. – Ele respirou fundo – Então Selena me disse que estava aqui. Ele apareceu na empresa. – Terminou. Então se debateu de algo. – Onde está Selena?

Demetria: Na cozinha, arrumando as coisas. – Respondeu, tentando esquecer o assunto.

Sterling: Como estamos, família feliz? – Perguntou, animado, se aproximando.

Demetria: Joseph? – Perguntou, olhando-o.

Sterling: Foi na cozinha, buscar um saca-rolhas. – Disse, tranqüilo – Selena?


Proximo Capitulos....

terça-feira, 27 de maio de 2014

PS.Eu Te Amo - Capitulo 15

O tempo passou, convertendo-se em horas. Demetria pegou o chá que ia tomar e se sentou na sala, dobrando as pernas. Provou o liquido quente e respirou fundo, sentindo o frio lhe alfinetar. Então o perfume forte, recente do banho, o cheiro másculo de Joseph lhe queimou o nariz, e ela soube que o banho dele havia acabado. Ele se sentou ao lado dela, que no mesmo momento recuou. Ele, com uma mão, impediu o ato.

Joseph: Fique. – Pediu – Eu não mordo. – Garantiu, sorrindo. Demetria o encarou, de sobrancelha erguida, e ele retirou a mão, mostrando que queria paz.

E, Deus do céu, como estava bonito! Usava uma calça abrigo preta, os pés descalços como os dela, e uma camisa cinza, de algodão. Os cabelos agora penteados, a barba bem feita, e os olhos verdes, parecendo mais claros, a observá-la. Demetria virou o rosto e bebeu mais da caneca em suas mãos. Joseph estava quieto, olhando pra frente, e parecia fazer força pra não sorrir. Então ele pigarreou consigo mesmo, respirando fundo.

Demetria: Não comece. – Alertou, quando ele tomou fôlego pra falar. Joseph riu.

Joseph: Não sabia o que ia falar. – Contestar.

Demetria: Não importa. Não ia ser nada de bom. – Disse, bebendo outro gole do chá fumegante. Joseph tornou a rir.

Joseph: Ontem à noite passei aqui e me lembrei do maldito cano que tinha nessa parede. – Demetria olhou a parede em frente a eles, e não pode evitar sorrir – No final ele servia pra que mesmo?

Demetria: Pra nada. – Respondeu, olhando a parede – Justamente por isso. O cano só fazia passar por ai, e dava infiltração, porque não tinha pra onde a água ir. – Ela fez uma caretinha engraçada.


A parede em questão havia dado um senhor trabalho quando os recém-casados Sr. e Sra. Jonas se mudaram. O maldito cano infiltrava a parede, deixando-a úmida e molhada, levando a jovem Sra. Jonas a ataques de histeria. Por fim, toda a parede teve de ser quebrada para remoção do cano.

Demetria: Você bateu um prego pra pôr um quadro. – Lembrou. Joseph gargalhou, e ela sorriu reservadamente, ouvindo o som do riso dele. – Molhou toda a sala. – Gemeu, se lembrando da hora que o cano estourou, jogando água em seus tapetes e móveis novos.

Joseph: Você queria chamar a policia. – Lembrou. Os dois não perceberam como estavam perto agora, sem a armadura ostensiva entre eles. O braço de Demetria quase tocava o dele, os dois olhando a parede.

Demetria: Estava estragando a sala que eu demorei meses pra decorar. – Se queixou – Mas uma serventia teve. – Disse, e sorriu, tomando outro gole do chá. Joseph a sondou, os olhos observadores, e por fim sorriu.

Joseph: Para...?

Demetria: Você esbarrou naquele vaso horroroso que a sua tia me deu de presente de casamento, e quebrou. – Comentou, satisfeita. Joseph riu com isso.

Joseph: Você o teria quebrado, de qualquer modo. – Comentou.

Demetria: Não, não teria não. – Se defendeu.

Joseph: Sim, você teria. – Rebateu, prendendo o riso, e olhando a parede.

Joseph: Teria, sim. Você quebrou o conjunto de porcelana que a minha mãe te deu. – Lembrou.

Demetria: Não quebrei. – Joseph a encarou, de sobrancelha erguida, e Demetria deu de ombros – Eu dei de presente. – Justificou. Viu a sobrancelha dele se erguer brevemente, e ele respirou fundo.

Joseph: A quem? – Perguntou, olhando a parede.

Demetria: A vizinha. – Justificou, miudinha.

Joseph: Que vizinha, Demetria? – Perguntou, olhando-a. Demetria não tinha amizade com os vizinhos, até porque o apartamento deles era único no andar.

Demetria: Você lembra dela. Uma branquinha, dos cabelos marrons. A dos bebês. – Incentivou. Joseph tentou lembrar. Então ela viu a compreensão riscar o rosto dele.

Joseph: Que demônio você é. – Acusou, se lembrando dela lhe contando quando chegou em casa, do modo como deixara a caixa com a porcelana cair de suas mãos. Parecia sentida pela perda das peças. Entretanto, estas estavam em posse da vizinha do andar debaixo. Ele viu Demetria rir com vontade.


Então o silêncio reinou. Demetria ainda estava coradinha, pelo riso. Ela olhava a parede, todas as lembranças boas aflorando, e ele olhava ela. Demetria só percebeu quando a mão dele tocou a maxilar dela, então o fantasma do sorriso foi morrendo de seu rosto, que foi tomando uma expressão séria, os olhos de boneca observando-o hesitantemente. Joseph, porém, manteve um sorriso de canto. Era a mesma de sempre, guardada em uma casca, uma barreira de proteção. As costas da mão dele percorreu suavemente a maçã do rosto dela, que sem manteve na defensiva. Viu quando Joseph se inclinou, pronto a tomar seus lábios. Demetria, saia! Mas onde estavam suas forças, uma vez que tinha baixado a guarda perante ele? Ela sentiu a respiração dele lhe tocar o rosto, e o que fez foi fechar os olhos. Os lábios dos dois se tocaram brevemente, com calma. Joseph não deixaria o desejo que guardava por ela manipulá-lo, não desta vez. Tinha tudo sob controle, e não haveriam passos em falso. Os lábios dele voltaram a procurar os dela, os dois se selando outra vez. Demetria respirou fundo, o coração martelando dolorosamente. Ele selou os lábios com os dela outra vez, mas agora sua mão segurou o rosto dela, mantendo-o no lugar, a ponta dos dedos adentrando os cabelos dela. Demetria só fez ficar quieta, se odiando por dentro por não empurrá-lo. Ela sentiu ele prender seu rosto, e sua mão se ergueu da caneca em seu colo para a mão dele que o segurava. Joseph murmurou um breve e calmo “Shhh...” nos lábios dela. Então colou seus lábios de novo. Dessa vez ela sentiu os lábios dele abrindo passagem entre os seus com calma e cuidado, e deu a passagem que ele buscava. A língua de Joseph tocou os lábios dela em uma caricia doce, terna, e ela suspirou. As línguas dos dois tinham acabado de se tocar, muito minimamente, quando a campainha tocou. Joseph sentiu a mão dela grudar em cima da sua, que estava no rosto dela. Ele suspirou, e selando os lábios dela outra vez, abriu os olhos.


Eu estou cercado por
Um milhão de pessoas
Me sentindo sozinho.

Demetria imitou o ato dele, mas ainda estavam próximos demais, e a mão dele deslizou do rosto dela pro seu pescoço, salva pela mão dela que o segurava, enquanto ele tentava se acalmar. Mas que amaldiçoado fosse quem estivesse tocando a condenada campainha. Debochando dele, a campainha tocou de novo.


Joseph: Você deixa que as pessoas subirem sem interfonar? – Perguntou, em tom baixo, os lábios ainda próximos aos dela. Mas antes que ela respondesse...

Selena: Mas que inferno, Sterling. – Rosnou.

Sterling: Selena, é pratico. Eu mando você ir em um lugar, e você vai a um lugar. Muito simples, fácil de gravar. – Resumiu.

Selena: Eu vou embora. – Rebateu.

Sterling: Não se atreva. E cuidado pra não derrubar isso.


Demetria: Só algumas. – Respondeu, e sorriu de canto. Então removeu a mão dele que estava em seu pescoço e se levantou, indo sob o olhar atencioso do marido, atender a porta.

Demetria caminhou e respirou fundo, abrindo a porta em seguida. Primeiro entrou um homem louro, com os cabelos repicados e um sorriso debochado no rosto. Ele vestia uma camisa normal, branca, e jeans. Seu nome era Sterling Pevensie. Em seguida uma ruiva, de cabelos cacheados que batiam nos ombros, em um vestido simples, branco. Parecia irritada por estar ali. Seu nome era Selena María. Depois, por ultimo, no corredor, havia um homem. Era alto, pálido, e tinha os cabelos castanhos claros. Usava uma camisa de botões, preta, e jeans. Seus olhos eram de um mel escuro, misterioso. Era forte e imponente. O tipo de homem que faria qualquer mulher cair aos seus pés. O homem com o qual a autora dessa história sonha toda noite. Seu nome era...

Proximo Capitulo...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PS.Eu Te Amo - Capitulo 14

Demetria: EU NÃO SEI! – Gritou, exasperada, no telefone – E se Sterling queimou aquela tela, demito ele. – Avisou. Selena riu.

Selena: Não pode demiti-lo, ele é um dos donos. – Lembrou.

Demetria: Ainda assim. – Ela gemeu – Minha cabeça dói.

Selena: O que vai fazer?

Demetria: Eu não faço idéia. – Admitiu. Então seu olhar recaiu em uma delicada cestinha de metal, em cima da mesinha perto da porta – Ah, merda. – Praguejou.

Selena: Ele chegou?

Demetria: Não. Só deve vir à noite. – Ela caminhou até a cestinha – Esqueci de passar no banco. – Confidenciou. – Tá cheio de contas aqui. – Ela conferiu os envelopes.

Selena: Sai e vai lá. – Aconselhou.

Demetria: Com essa chuva? – Perguntou. Voltara a cair um temporal do lado de fora. – Mas é ruim. E o pior é que amanhã eu vou ter que ir até ai, resolver tudo.

Selena: Paga pelo débito.

Demetria: É o que eu vou fazer. Pago por telefone o que der, porque ainda tem conta que não pode ser por telefone. – Rosnou – Amanhã resolvo o resto. – Ela largou os envelopes na cestinha.

Selena: E quando ele chegar?

Demetria: Vai ter um canivete no meu decote, pra casos de emergência. – Selena riu gostosamente – Pode rir, Selena María, pode rir. Sabe do que eu tô precisando? De sono, de novo. Até depois.

Selena: Toma cuidado.

Demetria: Eu sempre tomo. – Garantiu. Então se despediu da amiga, desligando o telefone.

O dia passou sem mais. Demetria tomou uma aspirina, e sua dor de cabeça passou. Aos poucos seu nariz parou de arder, e sua cabeça já não girava pelo éter. A noite caiu, chuvosa, e os raios cruzavam o céu de Londres. Demetria quis ter deixado as janelas abertas, mas inundaria tudo. Então se contentou apenas com o cheiro da chuva. Tomou um bom banho de banheira, quente. Então vestiu um pijama, camisa regata e short, e saiu. Ela tinha a toalha em mãos, secando a nuca, os cabelos lisos a salvo, secos e presos. Então passou na sala. Havia uma chave na fechadura. Ela gemeu. Havia até se esquecido de Joseph. A porta se abriu, e ele entrou em casa, meio molhado, o cabelo um pouco desgrenhado pelo vento. Um sorriso lento nasceu no rosto dele ao vê-la parada no outro canto da sala.

Outro dia de verão
Que vem, e vai embora
Em Paris ou em Roma,
Mas eu quero ir pra casa ♫

Joseph: Que recepção boa. – Comentou, enquanto tirava o terno, revelando uma camisa preta debaixo.

Demetria: Boa pra você. – Rebateu, irônica. Então tentou retomar seu caminho. Mas, que diabo, onde ela estava indo mesmo? Joseph terminou de tirar o terno, e ela viu que ele tremia levemente enquanto se livrava da peça. – Tome. – Ofereceu a toalha, cautelosa. Joseph parou, olhando o terno, depois, sorrindo de canto, as duas esmeraldas vivas que eram seus olhos se ergueram, observando-a.

Joseph: Preocupada comigo, Ma Belle? – Perguntou, enquanto se aproximava. Demetria recuou.

Demetria: Por mim, morria. – Admitiu, e Joseph riu da objetividade dela. – Tome o inferno da toalha e não faça perguntas. – Disse, evitando-o. Viu ele avançar e jogou a toalha, evitando o contato dele.

Joseph: Morria? – Brincou, apanhando a toalha no ar.

Demetria: Morria. – Confirmou – Contanto que não seja dentro da minha casa, morra a vontade.

Joseph: Nossa casa, neném. – Corrigiu.

Demetria: Como preferir. – Ela balançou a cabeça sarcasticamente, e ele observou o cabelo dela, mal preso, se afrouxar um pouco.

Joseph: Vou tomar um banho. – Disse, enquanto secava a nuca – Quer vir? – Convidou, animado, avançando novamente. Ele riu vendo Demetria correr, saindo de seu alcance.

Demetria: Não, obrigada. – Disse, sorrindo debochada pra ele. – Boa noite. – Desejou, e sumiu pela porta da cozinha. Joseph sorriu, balançando a cabeça enquanto entrava no corredor, e aspirou o perfume da toalha dela.

Mas a noite havia apenas começado, como Demetria logo viria a descobrir.


Proximo Capitulo.....

PS. Posto mais um hoje para conpensar o FDS !!!! Beijos 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

PS.Eu Te Amo - Capitulo 13

Demetria acordou quase uma hora depois. Abriu os olhos, e viu o teto de seu quarto. Seu quarto. Éter. Seu nariz doía pra respirar. Ela se levantou, e ao fazer isso sua cabeça doeu. Ela gemeu, pondo a mão no rosto.

Joseph: Ei, não se machuque assim. – Pediu, e ela sentiu as mãos fortes dele lhe guiarem de volta ao travesseiro. Ela esperou sua cabeça parar de latejar, então abriu os olhos, furiosos, pra encará-lo.

Demetria: Que diabo... você pensa... que está fazendo? – Rosnou, encarando-o.

Joseph: Te trazendo pra casa, Ma Belle. – Disse o óbvio, passando a mão carinhosamente no rosto dela.

Demetria: O que... – Ela estava confusa. Sua cabeça doía. Ele sorriu do breve desencontro de idéias dela. – Minhas roupas.

Joseph: Ah, sim. – Ele se afastou, e tocou a barriga dela, agora sob a camisola de seda. Sentiu a barriga se tencionar, rejeitando seu toque, mas ignorou – Não use as roupas de Selena. Deixa o seu perfume confuso. – Sugeriu – Eu precisei te dar um bom banho, até que estivesse a salvo novamente.

Demetria: Maldito seja. – Rosnou. Queria se levantar e empurrá-lo, mas sua cabeça doía violentamente só de pensar. Ele viu a expressão dolorida dela.

Joseph: Sinto por isso. – Disse, atencioso – Mas eu teria te machucado mais ao tentar trazer você de volta, tendo você acordada. Não propositalmente, mas você tem um instinto violento às vezes. – Brincou. Demetria não sorriu.

Demetria: Fora daqui. – Rosnou. Joseph riu da objetividade dela. – Fora da minha casa.

Joseph: De novo com isso? – Perguntou, tirando o cabelo dela do rosto.

Demetria: Não toque em mim. – Exigiu. Ele continuou, como se ela tivesse pedido por mais – Eu quero o divórcio.

Joseph: É um pouco tarde pra isso, neném. – Disse, sorrindo pra ela. – Interessante. – Comentou, observando-a.

Demetria: Que diabo é interessante? Tire a mão de mim. – Pediu, impaciente. Joseph sorriu.

Joseph: Existe muito pouca coisa que eu não lhe daria. O que quisesse, o teria em um estralar de dedos, não importa o preço. – Demetria o encarou. – Roupas, um carro, um apartamento, uma cidade, tudo seria seu. – Ele riu consigo mesmo – Se quisesse as estrelas, eu lhe daria. Mas você insiste em me pedir o único que eu não vou te dar. – Disse, pensativo.

Demetria: Você é louco. – Murmurou, lutando contra as palavras dele. Era o mesmo sedutor de sempre.

Joseph: De amor por você. – Completou, encarando-a. Demetria rosnou e ia se levantar, então sua visão escureceu de dor de cabeça – Shiii... quieta, neném.

Demetria: Demetria. Meu nome é Demetria. – Grunhiu, de olhos fechados.

Joseph: É confuso. Gostava que eu lhe chamasse de neném antes, Ma Belle. – Disse, enquanto mantinha o dedão na têmpora dela, massageando-a em círculos.

Demetria: Antes de você arruinar tudo. – Observou. Joseph não disse nada, apenas a observou.

Demetria abriu os olhos quando a dor espaireceu. Encarou-o. Joseph mantinha o dedo na têmpora direita dela, e ela tinha de admitir que era relaxante. Ele a encarava, e parecia buscar algo em seu olhar. Pelo sorriso que nasceu no canto de seus lábios, pareceu encontrar.

Joseph: Vou deixar você descansar. – Disse, se levantando. – Alguém chamado Sterling ligou algumas vezes, e deixou recado, disse que tinha tocado fogo em uma tela sua. – Lembrou. Demetria gemeu. – Mando alguém atrás dele, se quiser. – Ofereceu, sorrindo.

Demetria: Não, estou dispensando um Guarda-Costas, obrigado. – Debochou.

Então ele se foi, deixando apenas o som do riso divertido enquanto caminhava.

Proximo Capitulo...


quarta-feira, 21 de maio de 2014

PS.Eu Te Amo - Capitulo 12

A noite caiu. Demetria dormiu no quarto de hospedes da casa de Selena, depois de um calmante. O silêncio da noite trouxe de volta as lembranças, o toque da pele de Joseph, o som de sua voz, e ela precisou se dopar. Então dormiu. Acordou cedo no dia seguinte. Selena lhe entregou seu sobretudo, já lavado e seco. As duas tomaram café juntas. Demetria vestiu um jeans e uma blusa de Selena, pensando que precisaria providenciar roupas. Vestiu o sobretudo por cima, e saíram.

Demetria: Oh, merda. – Praguejou, olhando o pneu do carro. Estava furado.

Selena: Venha comigo. – Ofereceu, achando graça. Demetria não tinha o menor jeito com carros.

Demetria: Não. Vou passar no mecânico. De novo. – Revirou os olhos – Encontro você lá.

Selena assentiu. Demetria se abaixou e apalpou o pneu do carro. Maldição, porque estava assim? Tinha certeza de tê-lo deixado bem na tarde anterior. Rosnou e se levantou. Selena já tinha ido. Demetria olhou os pés. Os delicados saltos seriam uma praga, pra caminhada que tinha a frente. O vento era frio, quando ela saiu do condomínio de Selena. O vento varreu seu cabelo, fustigando seu rosto, levantando seu sobretudo. Demetria caminhou, enquanto fechava os botões do sobretudo bege. Então seu celular tocou.


Demetria: Fala, Sterling. – Disse, tirando os cabelos do rosto. A rua estava deserta. O único barulho era o vento nos muros da cidade e os saltos dos sapato, trincando no chão.

Sterling estava exigindo a presença de Demetria. Não adiantou Demetria explicar que o carro quebrou, e que Selena estava indo.

Demetria: Que diabo, Sterling, coloque-o em qualquer canto! – Repetiu, exasperada. Ela fez a curva em uma rua, o chão ainda estava molhado pela chuva da noite anterior.

Sterling: E eu tenho cara de que? Escravo? – Perguntou, armando barraco.

Demetria: Eu não disse que o tinha. – Disse, respirando fundo.

Sterling: Vou jogar fora. – Avisou.

Demetria: Você, não se atreva! – Avisou, e tentou se acalmar – Sabe quanto tempo leva pra pintar uma tela, Sterling?

Sterling: A mim, me dá igual. – Debochou
.

Demetria: JÁ ESTOU INDO! – Sterling aquiesceu, e Demetria rosnou, desligando o celular – Eu mereço.

Ela caminhou mais um pouco, e respirou fundo, sentindo o ar da manhã. Então percebeu que a rua estava deserta demais. Pegou o telefone, cobiçando chamar um táxi. A oficina que queria era perto dali, mas ainda assim. Então...

Joseph: Não é necessário. – Dispensou. E sua voz estava perigosamente perto.

Demetria retomou sua caminhada, imediatamente. Sentiu os passos de Joseph lhe acompanharem, calmamente.

Joseph: Vamos pra casa.

Demetria: Pensei ter dito que não ia ontem.

Joseph: Não. Ontem você disse que não ia por bem. – Disse, tranqüilo. – E você não foi por bem.

Demetria: Nem vou por mal. – Teimou, andando sem olhá-lo. Uma pena. Ela devia ter olhado.


Então algo sufocou seu rosto. Um cheiro forte. Maldito fosse! Demetria unhou a mão dele, que sorriu da tentativa dela. O cheiro do éter foi mais forte, e ela caiu, inconsciente, nos braços do marido.

Joseph: Calma, meu neném. – Disse, carinhoso, apanhando ela quando ela caiu. Os cabelos de Demetria desmontaram no ar, os cachos dançando enquanto ele a tomou no colo.
Joseph andou calmamente com Demetria mole em seus braços. Na curva havia um enorme carro, luxuoso, negro, quatro portas. Ele abriu a porta traseira e pôs Demetria deitada, com todo o cuidado.

Joseph: Agora. – Disse, arrumando os cabelos dela. – Nós vamos pra casa, meu amor. – Disse, e selou os lábios com os dela.

Proximo Capitulo...