Historias

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PS. Eu Te Amo - Capitulo 65

Ashley : Eu já falei com a mulher dele, uma vez. – Disse, anotando algo em um livro.

Até Demetria, que estava uma fossa, olhou. Selena engasgou com o café. Kristen ergueu as sobrancelhas delicadas. Ashley , percebendo os 4 pares de olhos olhando-a, ergueu o rosto.

Ashley : O que? – Perguntou, na defensiva. Foi Selena que pipocou.

Selena: COMO ASSIM VOCÊ JÁ FALOU COM ELA? – Perguntou, histérica.

Ashley : Eu trabalho com Joseph e Nicholas . – Disse, óbvia, tirando a caneta do papel – Eu atendi o telefone fixo do escritório de Nicholas  certa vez, e era ela, querendo falar com ele. – Disse, simples.

Demetria: Como ela era? – Perguntou, a voz sem curiosidade, morta. Demetria acordara na maior depressão. Saíra de casa antes que Joseph pudesse acordar e captar seu humor.

Ashley : Era educada. – Disse, estranhando.

Kristen: Educada e...? – Pressionou.

Ashley : Eu falei com ela por 1 minuto. Querem que eu tenha o perfil completo? - Perguntou, exasperada.

Todos sabiam que Nicholas  era casado, mas sua esposa era um mistério. Morava em outro país, e nem o país ele informara aos amigos. Joseph provavelmente sabia, mas não o diria por nada. Ele viajava duas vezes por ano, e em cada viajem levava 3 meses. Nunca deu indicio de nem de pensar em traí-la. Voltava das viagens de ótimo humor, mas sem comentários. Falava com a esposa três vezes por dia.

Selena: Vamos, Ash! – Pressionou, curiosa - Você falou com ela, ouviu a voz, e trabalha com eles, deve saber algo sobre a mulher! – Ashley  revirou os olhos – Nicholas  não pode ser capaz de escondê-la tão bem. – Disse, exasperada. – Como ela é? – Pressionou.

Nicholas : É linda. – Disse, entrando no escritório. Demetria caiu no riso. Era bom, pra distrair a cabeça, rir um pouco – Deslumbrante. – Completou.

Selena: Ah, ótimo perfil. – Revirou os olhos. Kristen e Ashley  riam.

Nicholas : Hum, ok. – Ele sorriu, se lembrando - Ela é alta, tem os cabelos pretos, sedosos, e os olhos que até hoje eu tento descobrir se são negros ou amendoados. – Disse, sorrindo com a lembrança – É branca. Tem os lábios bem desenhados. Um corpo bastante delineado. – O sorriso dele aumentou – É farta. Bem distribuída. Linda, como eu disse. Tenho sorte por tê-la. – Ele respirou fundo – Satisfeitas, ladies?

Kristen: Só um pouco. – Disse, com um biquinho.

Selena: Não é possível que você mantenha esse casamento há 5 anos...

Nicholas : 7 anos. – Corrigiu, coçando a sobrancelha.

Selena: Que seja. Não é possível que mantenha todos esses anos, vendo ela 6 meses por ano. – Disse, incréSela.

Nicholas : Eu a amo. – Disse, simples – Sinceramente, a amo mais que tudo. É a luz dos meus olhos. – Figurou, e sorriu – Por algum milagre, ela também me ama, desesperadamente. Eu, resumidamente, amo o chão que ela pisa. Isso tem bastado.

Selena: Seja sincero. Você a trai, não trai? – Perguntou. Demetria virou o rosto, de repente interessada na resposta dele.

Nicholas : Não! É claro que não! – Disse, parecendo enojado com a idéia – Todos os meus pensamentos são dela. – Exclamou, e negou pra si mesmo com o rosto. Demetria se afundou na cadeira.

Kristen: Porque não a traz? Não a apresenta?

Nicholas : Ela tem a vida dela, e eu tenho a minha. Tem funcionado muito bem assim, nosso amor prossegue forte. E eu não vim aqui pra falar disso. – Encerrou o assunto – Deixem minha mulher em paz. – Ordenou – Onde está Sterling?

Selena: Com Lúcia. Só vem depois do almoço. – Disse, se sentando.

Nicholas : Vou adiantar uns documentos e deixar pra ele, peçam pra que revise. – Disse, se sentando na cadeira de Sterling.

E o assunto estava encerrado por hora. Nicholas  não permitiria que ninguém interferisse em seu casamento, e ponto final. O que não significa que Selena desistiria. Problema dela, pra arcar com as conseqüências depois. Ela realmente nunca viu Nicholas  furioso. Ninguém viu. E, acredite, ela não quer ver.

-

Sterling apareceu depois do almoço. Carregava Lúcia. A menina  estava irreconhecível. Os cabelos agora cortados direitinho, curtinhos. Vestia um vestidinho rosa, com sapatilhas combinando. Carregava a boneca de pano no braço.

Sterling: Justin  , porque você veio atrás de mim mesmo? – Perguntou, exasperado, a certo ponto. Lúcia, no colo do pai, riu.

Justin  : Acredite, não foi por sua presença. – Alfinetou, então foi pro lado de Ashley , que colocou as mãos na cabeça,dramaticamente.

Nicholas : Péssima época pra arrumar briga, Sterling. – Disse. Nicholas  tinha um arquivo em papéis distribuídos na mesa de Sterling, os quais ele ordenava em um classificador preto.

Sterling: Espírito natalino? – Perguntou, achando graça.

Nicholas : Mais ou menos. – Disse, despreocupado – Eu vou viajar. – Anunciou, despreocupado.

Sterling: Como é? – Perguntou, incréSelo e exasperado.

Selena: Vai ver a mulher. – Debochou.

Nicholas : Sim, eu vou. – Ele sorriu deboJustin o pra Selena, que revirou os olhos – Eu já havia marcado com ela, e não vou retroceder. É responsabilidade sua adiar o processo até minha volta. – Disse, olhando Sterling.

Sterling: Três meses, Nicholas ? – Perguntou, se irritando – Susana vai me arrancar a alma se eu não tiver um advogado. Adie a viagem! – Exclamou.

Nicholas : Claro, e deixar minha mulher me esperando pra resolver a sua vida. – Ele riu consigo mesmo, ordenando os papeis no classificador – 3 meses. Você consegue. – Encorajou.

Então a porta do ateliê se abriu. Susana entrou, acompanhada por um senhor de meia idade, provavelmente seu advogado. Um ódio violento se apoderou de Demetria, e ela comprimiu os olhos.

Susana: Boa tarde. – Disse,tranqüila.

Justin  : Estava boa até você chegar. – Disse, pondo um banco atrás de Demetria, e se sentando atrás da loura, abraçando-a. Demetria estava tão furiosa que não fez objeção.

Susana: Bom te ver também, Justin  , querido. – Riu – Mas vamos ao que interessa, ainda tenho muito de fazer hoje. Olá, Sterling. – Sterling não respondeu, apenas a encarou. Abraçava Lúcia com os dois braços, na defensiva. – Eu disse que iria ter noticias minhas. – Ela acenou pro advogado.

O advogado dela se adiantou. Nicholas  interferiu, se dizendo advogado de Sterling, e o advogado de Susana lhe deu uma pasta. Nicholas  só leu o rodapé da primeira página. Profissional que era, sabia o que era aquilo, e o que significava.

Nicholas : Ela abriu um processo na justiça. – Esclareceu, colocando a pasta na mesa.

Advogado de Susana: Processo esse que pode ser evitado se houver um acordo. – Salientou.

Susana: Sterling. – Disse, olhando de Lúcia pra Sterling.

Sterling: Não. – Rosnou.

Susana: Lúcia. – Disse, respirando fundo. Então uma expressão doce se apoderou do seu rosto – Você quer voltar pra casa, com a mamãe?

Lúcia hesitou. Olhou pro rosto do pai, e o olhar de Sterling lhe dizia que ela não precisava fazer nada que não lhe agradasse, que ele a defenderia.

Lúcia: Eu não posso ficar um pouco com o papai? – Susana respirou fundo, virando o rosto – Quer dizer, eu só fiquei com ele agora. – Argumentou.

Sterling: Vai ficar comigo pra sempre. – Disse no ouvido dela. Lúcia sorriu.

Robert: Nicholas , eu trouxe o resultado dos exam... – Disse, entrando. Parou ao ver o clima tenso na sala. – Boa tarde. – Disse, passando por Susana, com uma careta no rosto.

Sterling: Ela não vai com você. Eu não vou deixar. Já deu seu recado. Está liberada, Susana. – Disse, em um rosnado.

Susana: Pense bem, Sterling. – Seduziu – Todo o trabalho. Toda a responsabilidade. Todas as privações e compromissos. – Tentou.

Sterling: É minha filha, não um problema a ser resolvido. – Rosnou.

Susana: Você é quem sabe. Ela vai voltar pra mim, de qualquer modo. – Lúcia se encolheu no colo do pai.

Nicholas : Eu não teria tanta certeza disso. – Cortou. Susana mais uma vez encarou Nicholas , avaliando os traços perfeitos do rosto, os contornos bem desenhados, a aparente falta de defeitos. Ela olhou a aliança em sua mão, e sorriu pra ele de novo.

Susana: Onde está sua mulher, Nicholas ? – Perguntou. Nicholas  literalmente caiu na gargalhada. O som era fascinante. Demetria gemeu baixinho, segurando as pontas da mesa com força. – Aliás, onde está seu marido, Demetria? – Perguntou, sorridente.

O silêncio foi esmagador. Demetria olhou pra frente, o azul dos olhos furioso. Em seguida ergueu os olhos pra Susana. Havia algo estranho no rosto de Demetria. Estava branca demais. Os lábios não tinham cor, nem a pele, contrastando com o chocolate forte dos cabelos.

Demetria: Presumo que não seja problema seu. – Sibilou, olhando Susana. Era doentio. Demetria nunca fora violenta. Mas agora não. Queria ferir Susana. Queria que sentisse dor.

Susana: Quando o encontrar, diga que eu mandei um beijo, e que sinto saudades. – Provocou.

Houve um estouro. De repente, a pesada mesa de Demetria havia virado, documentos e papéis voando no ar, peças de vidro se quebrando. Até Justin  , que estava abraçado a Demetria, não previu. Só foi visto a ela voar pra cima de Susana. Lúcia gritou. Sterling se levantou e abraçou a filha, ocultando o rostinho dela da cena. Demetria parecia descontrolada. Caiu pro chão com Susana, e suas mãos eram como navalhas, batendo, arranhando o rosto da outra.
Susana revidava, mas não era nada comparado. Durou muito pouco. Nicholas  apanhou Demetria pela cintura, erguendo-a do chão e Robert deteve seus braços. Selena foi até a amiga imediatamente, empurrando-a pra um canto. Demetria ofegava fortemente, os olhos furiosos. Justin   correu e imobilizou Susana no chão. Ashley  ajudou, erguendo Susana, que tinha os braços presos, pela blusa, e empurrando na direção oposta de Demetria.

Susana: LOUCA! – Rugiu, e dois fios de sangue desceram pela pele da maçã do rosto dela, as marcas das unhas de Demetria.

Demetria: Não se atreva... nunca mais... – Rosnou, entre os ofegos.

Susana: A verdade dói, não é? – Perguntou, um sorriso doentio nascendo no rosto vermelho, que continuava sangrando – Porque não bate nele, Demetria? Foi ele que me procurou. – Lembrou.

Demetria se lançou de novo. Mas eram 2 homens e uma mulher pra segurá-la. Pior, Nicholas  Uckermann era um dos homens. Ela se lançou a frente sem sucesso, os cabelos ricocheteando no ar.

Demetria: VAGABUNDA! – Rugiu, raivosa – FORA DAQUI! AGORA! FORA! – Expulsou. Susana riu pra ela e virou as costas, saindo e sendo acompanhada pelo advogado.

Nicholas  soltou Demetria. Selena se afastou, assustada. Apenas Robert se manteve segurando-a. Justin   ergueu a mesa dela de novo, enquanto Selena recolhia os papeis. Ashley  chamou a faxineira do prédio pra recolher os cacos de vidro, e pôs as coisas de Demetria de volta no lugar.

Sterling: Está bem? – Perguntou, tirando o rosto de Lúcia do seu peito.

Lúcia: Já vi piores. – Garantiu, tranqüila. Sterling gemeu, em uma careta, e ela riu, abraçando o pai.

Robert: Demi? – Chamou, cauteloso, virando-a pra si. Demetria tinha uma expressão doentia. Robert gemeu ao ver o outro lado do rosto dela. Havia uma marca vermelha, 4 dedos marcados ali. – Ah, Deus.

Demetria: Eu estou bem. – Tranqüilizou, tirando o cabelo do rosto. Robert a soltou, e ela voltou pra sua cadeira. Se sentia morta por dentro. Nem sentiu Justin   se sentar atrás dela e abraçá-la.

Justin  : Despetalou minha rosa? – Perguntou, tocando o rosto de Demetria, por cima da marca. Ela não estava nem ai – Com beijinho, sara.

E ele beijou o rosto dela, sob a marca. Uma vez, duas. Carinhosamente. Demetria franziu o cenho. Justin   beijou a maçã de seu rosto, a dobra do seu pescoço. Selena fez uma careta, e Ashley  tapou os olhos com as duas mãos, evitando rir.


Demetria: Justin  . – Chamou, mas ele não estava nem ai, continuou a beijá-la.

Não eram beijinhos nem selinhos, eram beijos longos, e Demetria não pode evitar de se arrepiar. Ele beijou a orelha dela, mordiscando, e ela riu. Justin   sorriu, travesso, e beijou a marca do tapa em seu rosto outra vez, e outra. Quando Demetria o sentiu traçar o caminho de sua boca com um beijo que bateu na trave, esquivou a boca, e ele riu de leve. Sem se importar, continuou beijando a pele branca dela, palmo por palmo. De repente, um silêncio opressor reinou no ar. Demetria, que ria levemente, abriu os olhos, ainda sorrindo. Justin   prosseguiu beijando-a, empolgado. A loura focalizou os olhos de Selena, e estes alertavam perigo. Demetria, ainda sorrindo, e confusa, olhou pro lado, e entendeu por que.

Joseph estava parado na porta do ateliê, a mão ainda na maçaneta, observando a cena.

Próximo Capitulo...

PS. Eu Te Amo - Capitulo 64

Sterling: Eu a quero, Susana. Eu vou dar a ela a vida que ela, sendo minha filha, merece ter. – Disse, a voz serena – Tente tirar ela de mim, e eu coloco você na cadeia.- Avisou. Susana não disse nada.

Susana: Aprendeu a brincar, Sterling. – Disse, fechando a pasta. Sterling rosnou, mas respirou fundo.

Sterling: Ela é um peso pra você, Susana. Pra que insistir nisso? – Perguntou, incréSelo.

Susana: Sim, é um peso. – Disse, pensativa – Mas eu não gosto de cozinhar, e seria horroroso ter que carregar minhas malas de um lado pro outro. – Debochou.

O estouro de Sterling foi triplamente mais violento. Ele queria esganar ela. Ele precisava. Susana recuou mais ainda. Nicholas  entrou no meio, mas Sterling parecia escorregar feito quiabo. Por fim, Nicholas  o segurou, passando o braço por seu pescoço. Sterling quase asfixiou, mas foi parado.


Susana: Não pense que acabou, porque está só começando. – Disse, erguendo a pasta – Terá noticias minhas em breve, Sterling. Eu volto. – Disse, sorrindo. Então se virou, os cachos ricocheteando no ar, e saiu do apartamento, batendo a porta.

-

O quarto de Lúcia resultou lindo. As paredes brancas, os móveis marfim, um abajur que fazia desenhos de flores girarem pelas paredes do quarto, lençóis e cortinas rosas, assim como o tapete. Todos foram embora satisfeitos com o trabalho. O problema foi que Joseph esteve calado o caminho todo, sério, concentrado no transito. Demetria não entendia. Depois que Susana se fora,ele esteve assim o tempo todo, até mesmo depois de Sterling se acalmar. Demetria entrou em casa sem entender nada. Joseph retirou o casaco, e ela também. Demetria decidiu não perguntar, dar espaço a ele, mas não foi preciso.

Joseph: Ma Belle? – Demetria o olhou – Quero conversar com você. – Disse, ainda sério.

Demetria: Tudo bem. – Ela se sentou no sofá, e ele se sentou ao lado dela. Ela viu Joseph tomar ar, procurando as palavras.

Demetria esperou. Não sabia o que ele podia lhe dizer de tão grave, que lhe abalasse tanto. Não iria deixá-la, ela tinha certeza. Também não a estava traindo, nisso ela acreditava. O que viesse, poderiam enfrentar juntos. Demetria estava vivendo um sonho, era como ter seu casamento de contos de fada de volta.

Uma nota de sua autora: Há uma regra desagradável sobre sonhos, apenas uma – em algum momento, você tem que acordar.

Joseph: Eu prometi que não ia te machucar, e eu não vou. – Demetria esperou, ainda olhando-o – Prometi lhe contar sempre a verdade, e vou cumprir minha promessa, mesmo que isso vá me resultar potencialmente problemático. – Prosseguiu.

Demetria: Está me assustando. – Ela sorriu.

Joseph, naquele momento, teve vontade de rir com ela e mentir,dizer que era uma pegadinha. Mas não era o certo, então ele prosseguiu.


Joseph: É sobre Susana, Ma Belle. – Começou. Demetria ficou mais confusa ainda.

A cabeça de Demetria dava centenas de voltas. Onde Susana entrava nessa história? Porque Joseph estava tão preocupado? Pense, Demetria... Onde Susana pode entrar? A resposta veio em um clique em sua cabeça, e ela buscou a maldita confirmação nos olhos dele. Estava lá. Demetria sentiu um frenesi começar em seu corpo.

Demetria: Ah, não. – Gemeu, pondo a mão nos olhos. Joseph ficou quieto, esperando. – Não, Joseph, não! – Gemeu novamente, e se levantou. Não queria ficar perto dele.

Joseph: Ma Belle... – Tentou, se levantando, mas ela puxou o braço com força, se afastando dele.

Demetria: Não toca em mim! – Disse, e sua voz era exasperada. Agora ela entendia – Foi por isso que me tirou da sala, pra que eu não me batesse com ela, pra que ela não falasse, e eu que pensei, eu acreditei em você, pensei que... – Ela parou, olhando o chão, o rosto ainda pálido, os olhos ainda chocados. Algo mais no que pensar. Ela fez cálculos rápidos na cabeça. Batia. – Ah, meu Deus. – Disse, em voz baixa, e se afastou mais.

Joseph: O que? – Perguntou, esperando.

Demetria: A menina . – Disse, e sua voz era um grunhido.

Joseph: Que menina ?! – Perguntou, exasperado e confuso. O rosto dela não era bom, aquela aparência não.

Demetria: Lúcia! A menina  é sua filha! – Disse, quase gritando. Ela sentia o oco em seu útero mais forte que nunca agora. O tumulo silencioso, de onde seu filho jamais saíra. Ele tinha uma filha. A menina  a qual Sterling amava mais a cada segundo.

Joseph: O que?! NÃO! – Disse, entendendo a conclusão dela.

Demetria: SIM! – Gritou de volta – O tempo bate exatamente. – Grunhiu.

Joseph: Não, Ma Belle, acredite em mim, a menina  não é minha. É dele. – Disse, quase suplicando.

Demetria: Acreditar em você... – Debochou de si mesma – Foi tudo o que eu fiz! Como pode saber que não é sua?!

Joseph: Porque eu sempre usei camisinha! – Jurou. Demetria esperou.

Demetria: Comigo não. – Rosnou.

Joseph: Não, com você não, você é minha mulher. – Diferenciou. Demetria gemeu, recuando de novo, pondo as mãos nos cabelos – Mas com todas as outras, sim!

Demetria: Não é o suficiente. – Disse, ainda segurando os cabelos.

Joseph: Quando eu soube que Susana estava grávida, eu fui atrás dela. – Disse, cansado – Eu pensei nessa possibilidade – Eu perguntei, ela negou.

Demetria: Não é o suficiente. – Repetiu, buscando o ar. O silêncio reinou durante instantes. Demetria tirou as mãos dos cabelos e olhou na direção dele, mas ele não estava lá. Antes que Demetria pudesse chamar, ele voltou, vindo da porta do escritório. Tinha papéis na mão.

Joseph: Eu obriguei ela a fazer o exame. – Disse, com a voz morta – Não é minha. – Disse, oferecendo os papeis.


Mas Demetria não olhou. Com isso ela acreditou. E caiu no choro. Joseph largou os papéis na mesinha da sala e abraçou ela. Demetria se debateu contra ele, mas logo desistiu.

Demetria: Eu odeio você. – Disse, entre lágrimas, e Joseph manteve ela nos braços, sentindo os soluços dela irem e virem. Demetria chorava de raiva dele, de dor, mas de alivio também. Não agüentaria que Lúcia fosse filha dele – Porque me disse isso? Que diabo, Joseph, porque? – Perguntou, a voz tremula.

Joseph: Está doendo, mas foi melhor saber por mim que por ela. E eu quero lembrar que eu amo você. Apesar de todos os erros que eu já cometi, é o que eu mais amo, o que eu mais tenho medo de perder. – Disse, e ela ergueu o rosto pra ele. Estava lavado em lágrimas.

Demetria: Já perdeu, Joseph. – Disse, em um murmúrio, com a voz fria.

Joseph: Não enquanto eu conseguir ver aqui, - Ele secou os olhos dela com os dedões – Que ainda me ama. Até então, não vou ter perdido. – Concluiu.

Demetria o encarou, cansada. Não queria saber. Não queria que ele tivesse errado. Queria estar com uma barriga enorme agora, entre os dois. O amava e o odiava. Queria mandá-lo ir, mas não sobreviveria a sua partida. Sem querer mais pensar, ela se atirou nos braços dele. Joseph retribuiu o beijo, mas sabia que aquilo não era um ponto final no assunto.

Joseph: Não... – Disse, se afastando dela. Demetria havia enlaçado seu pescoço com as mãos, e se aferrava a ele na tentativa dele de soltá-la – Ma Belle, assim não. – Murmurou, ainda tentando.

Demetria: Não me quer, Joseph? – Perguntou, e ele viu a insegurança no olhar dela, enquanto soltava o pescoço dele. Ele sorriu, secando uma lágrima que caíra. Demetria não tinha certeza mais de nada, depois da revelação sobre Susana.

Joseph: Quero tanto quanto o ar pra respirar. – Esclareceu, e ela sorriu de canto – Mas você só quer esquecer o assunto, e adiar não vai adiantar nada, não quando ela vai estar perto de você agora, aparecendo a qualquer momento, querendo te ferir. – Disse, preocupado.

Demetria: Eu sou sua mulher, não sou? – Perguntou, a voz ainda tremula, a mão passando pelo rosto dele, adentrando os cabelos macios dele.

Joseph: Sempre vai ser. – Respondeu, tranqüilo.

Demetria: Então o resto não importa. Me faça sua. – Disse, antes de beijá-lo outra vez.


Dessa vez ele aceitou, e houve sede, gana, de ambas as partes. Joseph fez Demetria subir em seu colo, segurando-a uma mão pelas costas e uma pela coxa, e ela o segurava com gana pelo cabelo, as bocas dos dois se devorando. Desceram pro chão, com uma fome por sexo que a cada segundo aumentava, e logo seria saciada. E esse assunto estava enterrado. Por enquanto.

PS. Eu Te Amo - Capitulo 63

Logo Sterling voltou. Trazia um urso de pelúcia gigante nos braços, grande até pra ele. Era cor de caramelo, e tinha um laço no pescoço. Ele parou atrás de Lúcia, e se ajoelhou, se ocultando atrás do urso.

Sterling: Bu! – Disse, e a menina  se virou, se deparando com o urso.

Lúcia: Ca-ram-ba. – Murmurou, os olhinhos arregalados.

Sterling: Presente. – Disse, a cabeça aparecendo do lado do urso.

Lúcia: É meu? – Perguntou, um sorriso alegre nascendo no rosto – Obrigada! – Agradeceu e pulou em cima do urso, abraçando-o e conseqüentemente abraçando Sterling. O louro riu, cambaleando e segurando ela e o urso.

Sterling: Que tal agora escolhermos seu quarto? – Perguntou, tirando o urso do caminho e arrumando o cabelo dela. Lúcia assentiu, e ele se levantou, pegando o urso em um braço e a mão dela em outro. Então ela falou.

Lúcia: Porque você me dá presentes? – Perguntou, acanhada. Sterling a olhou, e sorriu.

Sterling: Porque eu sou seu pai. Porque eu gosto de você. – Disse, simples. Um sorriso lindo iluminou o rosto da menina . Então ele fez uma careta – Só não me peça um cachorro. – Pediu, franzindo o cenho. Lúcia riu.

Então eles foram. Compraram tudo: Cama, colchão, um enorme guarda-roupas, uma poltrona, prateleiras de madeira, dois criados mudos e uma escrivaninha. Logo se encontraram com Demetria, Ashley , Selena e Kristen, que compraram mais roupas pra Lúcia, fora dois tapetes de pelúcia, um branco e um rosa (Kristen respondeu que era pra variar, quando enjoasse da cor de um. Sterling revirou os olhos com isso.), montes de jogos de cama, travesseiros, cortinas, abajur, fora produtos de higiene. Por fim, nem a traseira da pick-up de Justin   agüentou a metade das caixas. Revezaram entre os carros. Lúcia estava corada de tanta alegria, todos conversavam com ela, perguntavam como ela queria tudo, como ela preferia. Chegando em casa foram trocentas mil subidas e descidas de elevador, conseguiram por tudo dentro de casa. A sala de Sterling virou um pandemônio. Só que houve uma surpresa; quando chegaram, Nicholas  já estava lá.


Nicholas : Tome. – Disse, entregando uma pasta a Sterling. Justin   parou no caminho, com o colchão na cabeça.

Sterling: Isso é...? – Perguntou, abrindo a pasta.

Nicholas : É o que vai impedir a sua prisão por rapto de menor quando a mãe dela aparecer. Foi por isso que eu sai ontem, mas não há muitos juízes disponíveis na noite de natal. – Sorriu, deboJustin o – Esse documento te cobre, pelo menos pela parte da lei, quando acontecer. – Se resumiu.

Sterling: Não tinha pensado nisso. – Disse, lendo a primeira folha da pasta – Obrigado. – Nicholas  deu de ombros.

Nicholas : Alguém tem que ver o lado jurídico da coisa. Eu não estudei anos de advocacia só pra ter um diploma. – Disse, simples.

Justin  : Mas ele é um gênio, não é? – Perguntou, se virando pra ir na direção de Nicholas , rindo. O colchão quase derrubou Kristen, salva pelo marido que a carregou e puxou do alvo. Mas bateu na cabeça de Sterling.

Sterling: Sai daqui. – Rosnou. Lúcia ria. – 3, 2, 1...

Mas Justin   já havia ido. Logo era uma força tarefa. Os homens montavam os móveis, as mulheres cuidavam do resto. Justin   cantava a plenos pulmões. A casa de Sterling nunca esteve tão movimentada.


Joseph: Um, dois, três. – No três ele forçou o tampo da escrivaninha. Justin   ajudava do outro lado. O tampo se encaixou no lugar. Joseph pegou a furadeira no chão, junto com uns parafusos. Vinha conversando com Justin   há um tempo, desde que este parara de cantar. Sterling e Nicholas  cuidavam do guarda-roupas, e Robert montava um dos criados mudos.

Justin  : Sabe, você é um cara legal. – Disse, tirando a tela de proteção lateral da escrivaninha.

Joseph: Você também é. Fora o modo desagradável como insiste em olhar minha mulher. – Disse, e apertou o botão, ligando a furadeira, e sorrindo ameaçadoramente. Justin   riu.

Justin  : Nada pessoal. – Garantiu – Só fui informado que daqui a meses ela vai estar livre de você. Achei melhor colocar meu nome na lista de espera, porque já deve ter uma.

Joseph: Não há lista. – Rosnou, pondo um parafuso no lugar – Vejo que conheceu Selena María. – Disse, desgostoso.

Então as mulheres entraram no quarto. Demetria foi até Joseph, se abaixando pra abraçá-lo pelo peito, beijando seu rosto. Joseph sorriu, deliciado, e Justin   riu.

Demetria: Almoço, senhor construtor. – Disse no ouvido dele, beijando-o em seguida.

Joseph: Vou só terminar aqui. – Disse, mostrando os parafusos. Demetria assentiu, e selou os lábios com os dele, saindo. Joseph observou, satisfeito – Acha mesmo que eu vou embora? – Perguntou, sorrindo. Justin   riu.

Todos foram almoçar. Sterling almoçava com Lúcia no colo, todos espalhados pelos cantos da casa, em meio de caixotes de papelão. Assim que terminaram de comer, a louça foi retirada, resolveram descansar um pouquinho antes de voltar ao trabalho. Joseph se abraçou a Demetria, perto da janela. Robert sentou com Kristen perto de Ashley  e Nolan . Selena fora lavar a louça. Sterling se encostou em um sofá, com Lúcia no colo. Justin   sobrou de pé. O inferfone chamou, e o moreno atendeu. Murmurou algo breve e desligou. Quando se virou pros outros, seu rosto estava impassível.

Justin  : Susana está subindo. – Anunciou, e era só.

-

Justin   abriu a porta. O elevador se abriu no corredor, e uma morena saiu dele. Usava saltos pretos, uma legging preta, com uma blusa branca por cima. Sua pele era pálida, e os cabelos eram castanhos, caindo até o meio das costas em cachos. Seus olhos eram de um surpreendente azul claro. Sterling já havia se levantado, com Lúcia no colo, e suas narinas estavam dilatadas. Ninguém viu, mas o rosto de Joseph endureceu ao vê-la. Nada bom.


Susana: Justin  . – Disse, sorrindo. Justin   a cumprimentou com um aceno de cabeça. – Sterling. – Disse, por fim, olhando Sterling.

Sterling: Susana. – Respondeu em um rosnado, se controlando por ter a filha no colo.

Lúcia: Oi, mamãe. – Sorriu, alegre.

Susana: Oi, Lu. – Respondeu, sem dar maior atenção – Vejo que a conheceu, Sterling. – Disse, sorrindo, como se isso fosse o mínimo.

Sterling: Encantadora. – Rebateu, e seu instinto deu um passo à frente. Justin   se colocou no caminho.

Joseph: Ma Belle, leve Lúcia pra dentro. – Pediu, em um murmúrio, no ouvido de Demetria. Ela assentiu e foi até Sterling.

Demetria: Lúcia? – Lúcia a olhou – Me ajuda a terminar de escolher os forros da sua cama? – Pediu, tranqüila. Lúcia sorriu.

Lúcia: Ajudo. – Disse, alegre. Demetria estendeu os braços, e Sterling entregou Lúcia.

Susana: Da cama dela? – Perguntou, olhando Demetria. Demetria se virou e encarou Susana. Algo nela fortemente lhe ofendia.

Demetria: É. Não sei como te explicar, mas colchões precisam ser forrados antes que alguém os use. – Disse, como quem explica a um doente que ele precisa tomar os remédios.

Joseph: Ma Belle. – Chamou novamente. Demetria o encarou, e viu o olhar de censura dele – Por favor. – Ela assentiu e saiu. Selena foi atrás. A vozinha de Lúcia sumiu no corredor, dizendo que estava em duvida entre o lençol amarelo e o rosa. Joseph virou o rosto pra Susana, e sua voz era dura – Nunca mais dirija a palavra a ela. – Avisou. Isso até distraiu Sterling um pouco. Susana riu.

Susana: Está montando um quarto pra minha filha, Sterling? – Perguntou, deboJustin a.

Sterling: Minha filha. – Corrigiu – E não é de problema seu o que eu faço ou deixo de fazer com ela. Como pôde, Susana? – Perguntou, a voz incréSela de ódio.

Susana: Eu te fiz um favor. Você viveu muito bem sem ela esses anos, não viveu? – Perguntou, olhando-o – Estava perfeitamente bem sem saber de sua existência, não estava? Pois vai continuar, Sterling. Finja que não viu. – Debochou novamente.

Sterling: A trata como se fosse um objeto, um animal. – Grunhiu. Justin   se moveu minimamente, se preparando pra interferir no caminho de Sterling.

Susana: O que você esperava? Que eu preparasse lancheiras pro colégio e contasse histórias pra dormir? – Perguntou, irônica – Eu não pedi pra engravidar. Me agradeça por ela estar viva. – Disse, tranqüila.

Sterling explodiu. Kristen gritou. Justin   se lançou a sua frente, tomando o impacto. Susana recuou um passo, e Robert ajudou Justin  , puxando Sterling pela camisa, bloqueando o caminho dele.


Sterling: Fora da minha casa. – Rugiu, furioso.

Susana: Perfeitamente. – Disse, sorrindo – LÚCIA! – Chamou, o rosto virado pro corredor. Joseph sabia que Demetria não deixaria a menina  vir, então não se moveu.

Sterling: Nem pense nisso. – Disse, a voz baixa novamente.

Susana: Ela vem comigo. Eu sou a mãe, Sterling. Não se esqueça disso. – Disse, ameaçadora.

Nicholas : Ele não esqueceu. – Disse, e Susana olhou-o. Sorriu um instante. Era beleza demais pra um homem só.

Susana: E você é...? – Perguntou, sorrindo.

Nicholas : O advogado dele. – Disse, sem dar atenção ao olhar dela. Susana o olhou do rosto, peitoral, barriga, e seu olhar caiu na aliança dourada na mão esquerda. Seu sorriso só fez aumentar.

Susana: Como advogado, sabe que estou certa. – Disse, tranqüila.

Nicholas : Estaria, se eu não tivesse pensado nessa possibilidade antes. – Ele passou por Sterling, apanhando a pasta de documentos – Ele está coberto. A menina  fica. – Ele entregou a pasta a ela.

Susana abriu a pasta, e seu sorriso se fechou, lendo a folha de praxe do documento. Então Sterling realmente queria briga.

PS. Eu Te Amo - Capitulo 62

Enquanto isso, na mansão dos Jonas...

Demetria: Qual seu problema com Justin  ? – Perguntou, por perguntar, enquanto tirava os sapatos, dentro do seu closet.

Joseph: É preciso responder? – Perguntou, deboJustin o, enquanto retirava o relógio. A pulseira que ela lhe dera permaneceu lá. – Foi um milagre eu não ter lhe furado os olhos, por ter olhado você daquele modo. – Disse, e sorriu ao ouvir o riso dela.

Demetria: Não leve Justin   a sério. – Disse, voltando pro quarto. Ela usava um hobbie de seda azul marinho. Joseph a observou passar, quieto. – Ele não se leva a sério. – Comentou, passando uma escova pelos cachos do cabelo. Ela foi até os pés da cama e pegou o casaco dele. Joseph tinha mania de largar peças de roupa na cama, era incrível. Ela já estava acostumada, então apenas apanhou o casaco, ainda penteando os cabelos. Nessa parte reparou que ele a olhava – O que houve? – Perguntou, parando a escova no meio dos cabelos.

Joseph se aproximou, quieto. Era impressionante como ela era alheia, quando queria. Demetria esperou, vendo ele se aproximar, olhando-a. Joseph usava uma calça abrigo preta e uma camisa de algodão cinza.


Joseph: Se vê preciosa, Ma Belle. – Disse, apanhando o rosto dela entre as mãos. Demetria sentiu o corpo todo amolecer – Tão linda, tão perfeita em cada detalhe. Queria que pudesse ver como está agora. – Disse, a voz sedutoramente baixa – Como é apelativo pra mim. – Ele tocou o pescoço dela, coberto pelas safiras.

Demetria: Você sempre fala que eu sou apelativa pra você. – Brincou, sorrindo. Joseph sorriu, selando os lábios dela.

Joseph: E você é, a cada segundo. – Disse, deixando a mão abraçá-la, descendo pelas costas, parando em sua cintura, apertando-a pra si. – Mas a cada momento é diferente. – Justificou. Ele apertou a cintura dela, e sorriu, sentindo a falta de resistência por debaixo do hobbie – Nada? – Perguntou, sorrindo, detectando a falta de roupa dela.

Demetria: Eu vou tomar banho. – Justificou, mas sua voz não era tão convicta.

Joseph: É claro que você vai. – Zombou, a voz maliciosa, e ela sentiu a boca dele empurrar seu hobbie pro lado, expondo o ombro pálido. Ao invés de se encolher, ela inclinou o rosto, oferecendo a pele, e ele sorriu. – Preciso ver algo, antes de qualquer coisa. – Disse, afastando a boca da pele dela. Demetria abriu os olhos, mas ele não a encarava. Desfazia o laço do hobbie. Ela se lembrou da brincadeira dele na casa de Sterling, e riu.

Demetria levou as mãos aos ombros, afastando a seda azul ela mesma, deixando que escorregasse por seu corpo, caindo no chão junto com sua escova e o casaco dele, revelando sua nudez. Só levava as safiras, agora. Joseph a olhou, literalmente, dos pés a cabeça, lentamente em cada parte, memorizando cada detalhe, até encontrar seus olhos. Demetria sorria de canto, esperando ansiosamente. Deus, ela não tinha noção do quão linda estava? Não era consciente de que nenhuma mulher no mundo poderia igualar beleza tão única, tão perfeita em cada detalhe?


Demetria: Melhor? – Perguntou, vendo o olhar dele sob seu corpo.

Joseph: Maravilhosamente. – Murmurou, avançando pra ela. Logo havia tomado sua boca em um beijo sôfrego, e ela havia lhe abraçado firmemente pela cintura forte, rígida, enquanto os dois cambaleavam em direção a cama.

E tudo havia começado novamente.

Demetria terminou dormindo com as safiras. Quando Joseph, por fim, lhe deu paz, ela, mesmo aos risos do jeito bobo dele, estava tão cansada que se aninhou em seu braço, logo adormecendo. Joseph a observou por instantes, e, Deus, o quão preciosa era. Só em pensar perdê-la outra vez se formava um bolo sufocante em sua garganta. Mas ele afastou os pensamentos. Ela estava ali, em seus braços, e era o que importava. Logo dormiu também. Sterling e Lúcia acordaram cedo na manhã seguinte, tinham muito o que comprar; problema foi acordar Justin  . Eles bem tentaram, mas o moreno estava afundado em seu travesseiro. Até que Sterling pediu pra Lúcia gentilmente se virar. A menina  riu, travessa, e se virou, tapando os olhinhos. Isso não impediu que ela ouvisse o tabefe que Sterling deu na orelha de Justin  , que partiu pra porrada com o irmão. Lúcia espiou, rindo, enquanto Sterling puxava Justin   pela bermuda da cama, fazendo-o cair no chão. Logo os três saíram. Foram comprar tudo pra decoração do quarto de Lúcia. A casa de Sterling tinha três quartos, o dele, o de Justin   (que não era na intenção pra ser de Justin  , mas acabou sendo), e o de hospedes, que seria o de Lúcia.

Justin  : E se aparecer algum hospede? – Perguntou, ainda bocejando.

Sterling: Nesse caso eu ponho você pra fora. – Sorriu, deboJustin o. Justin   riu gostosamente com isso.

Lúcia estava quietinha. Levou sua boneca consigo. Foram ela e Sterling no carro dele, e Justin   em sua picape preta, Hilux, 4x4.


Sterling: Você realmente gostou. – Disse, satisfeito, vendo pelo retrovisor Lúcia prender a boneca com o cinto de segurança, sentada ao seu lado.

Lúcia: É linda. – Admitiu, e deu um beijinho na boneca. Sterling sorriu, voltando sua atenção ao trânsito.

Sterling: Você nunca teve...? – Ele gesticulou, não falava só de bonecas, mas como de brinquedos, ou jogos que crianças em geral tinham. Lúcia entendeu.

Lúcia: Não. – Respondeu, sincera, ajeitando a franjinha da boneca – Eu e mamãe viajamos muito, e ela disse que não podíamos juntar peso pras bagagens, então eu nunca ganhei uma. – Deu de ombros.

Depois dessa Sterling não perguntou mais nada. Mas sua mão se apertou radicalmente no volante. Ele queria, que naquele momento, o pescoço de Susana fosse o volante. Logo pararam em uma loja de móveis. Sterling disse a Lúcia que escolhesse o que ela quisesse, mas a menina  prosseguiu quietinha. Tinha medo de pedir demais. Não queria que o pai se irritasse com ela.


Sterling:... Então eu achei que vocês podiam ajudar digo com decoração, isso de cortinas, forros de cama... – Disse, no celular – Ela dá a opinião dela, e vocês escolhem, eu não sei bem do que é preciso. – Ele coçou o cabelo, olhando a rua, pela vitrine da loja. O atendente conversava com Justin  , e Lúcia olhava tudo, quietinha. Selena assentiu no celular. – Então faz assim...


Sterling marcou um lugar pra se encontrar com Selena e comprar o enxoval de Lúcia. Então Justin   se aproximou.

Justin  : Sterling. – Sterling o olhou, enquanto guardava o celular. Justin   se aproximou o suficiente pra que a conversa passasse imperceptível por Lúcia – Eu estou achando ótimo esse seu entusiasmo em montar o quarto dela, em fazer tudo direito, mas você não acha um pouco precipitado? – Perguntou, com as mãos nos bolsos.

Sterling: Precipitado? – Perguntou, confuso. Lúcia tinha 5 anos de atraso em toda e qualquer experiência normal da infância. Sterling não encontrava a palavra precipitado em nada.

Justin  : Sabe que não é assim. A guarda dela é de Susana, e mais cedo ou mais tarde ela vai aparecer. – Lembrou. O olhar de Sterling endureceu.

Sterling: Susana é problema meu. Eu vou cuidar dela. – Prometeu, e era uma ameaça – Além do mais... eu quero a menina .

Justin  : Essa pra mim é novidade. – Disse, achando graça – Não era você que não queria filhos?

Sterling: Eu não queria. E se fosse pra minha escolha, eu não teria, muito menos agora. Mas não foi me dada opção. Ela é minha filha. Vai ter tudo o que tiver direito de ter, e vai ter debaixo dos meus olhos. – Ele respirou fundo – Nem que eu tenha que mover céus e terra em um processo, nem que pra isso eu vá preso, ela não volta pra mão de Susana. – Concluiu. Justin   assentiu, vendo a seriedade do irmão – Porque ela não se move, não escolhe nada? – Perguntou, agora olhando Lúcia, parada perto de uma cama, abraçada a sua boneca.

Justin  : Na verdade, - Começou, sorrindo – Ela tem bastante estomago. – Sterling ergueu uma sobrancelha – Ela está acostumada a não ter nada e você lhe oferece tudo. – Explicou – Se fosse eu, já teria saído correndo e gritando. – Admitiu, satisfeito. Sterling coçou o cabelo de novo.

Sterling: Olha ela pra mim um instante. – Disse, e saiu. Justin   rosnou, por ficar sem direito a resposta, mas ficou lá.


Próximo Capitulo...

PS. Eu Te Amo - Capitulo 61

Logo Lúcia ficou pronta. Todas ajudaram, e a menina  ficou uma bonequinha. Falando em bonequinha, Sterling sumira nesse meio tempo e voltara alguns minutos depois, com uma embalagem que não tinha tamanho, embalada em papel de uma loja 24 horas. Uma boneca, enorme. Ninguém teve coragem de falar nada, mas Justin   riu alto. Demetria entrou na sala saltitando, e se abraçou a Joseph, manhosa. Ele largou o catálogo como estava e a aninhou nos braços fortes.

Demetria: Tchan-tchan-ran-ran... – Murmurou, quando a menina  entrou na sala de mãos dadas com Kristen. Robert olhava a mulher com fascínio nos olhos. Queria ter filhos, mas Kristen achava cedo. Isso não evitava o quanto ela ficava linda ali, entrando com a menina  como quem mostra um trabalho pronto.

Lúcia estava irreconhecível. Usava um vestidinho branco com flores rosas, uma sapatilha rosa, os cabelos lisos com uma matiz castanha, em um penteadozinho com presilhas. Sterling a observou, quieto. A menina  parecia tão à vontade com ele.


Justin  : Ok, gente. – Disse, rompendo o silêncio.

O jantar correu normalmente. Sobrou comida, e muita. Sterling realmente havia encomendado um porco. Mas não olhava a refeição direito, ou prestava atenção a conversa; prestava atenção a filha. Lúcia sabia comer, educadamente, com os talheres. Sterling se perguntou a que circunstância isso fora aprendido; logo saberia que a custo de vários cortes de faca, vendo filmes na televisão e tentando imitá-los. Após o jantar um vinho foi aberto e servido. Lúcia ficou com refrigerante. Joseph manteve sua mão por cima da de Demetria a noite toda, acariciando brevemente enquanto conversava com ela, ou fuzilava Justin   com os olhos.
Não gostava do modo com que ele olhava a esposa.

Joseph: Algum problema? – Perguntou a certo ponto, e todos o olharam. Lúcia ergueu os olhos do seu copo de refrigerante, curiosa.

Justin  : Absolutamente, e você? – Perguntou, calmo.

Joseph: Só se você estiver procurando por um. – Sorriu, ameaçador. Selena revirou os olhos. Robert riu, e Kristen beliscou ele. O ruivo sorriu em desculpas e beijou o rosto dela delicadamente, selando seus lábios.,

Nolan : Olhem a criança. – Disse, achando graça, e coçando a nuca distraidamente. Lúcia parecia animada. Sterling observava as reações dela, quieto, com um sorriso de canto no rosto. Ashley  sorriu e beijou a região do ouvido dele.

E a discussão terminou ali. Quando ficou tarde, as mulheres cuidaram de Lúcia, livrando seus cabelinhos das presilhas, vestindo-a com um pijama rosa bebê. Se despediram, e foram. Lúcia ficou sentada nos pés da grande cama de Sterling. Haviam dezenas de sacolas em um canto do quarto, e ela estava curiosa pra olhar o que havia ganhado das “tias”. Mas não sabia como agir, então ficou sentadinha, quieta. Logo Sterling entrou no quarto, com a caixa enorme nas mãos. Lúcia esperou, na defensiva. Ele se sentou ao lado dela, e pôs a caixa na frente dela.


Sterling: É... – Ele coçou o cabelo, e apontou pra caixa – Seu presente. Feliz natal. – Disse, sem jeito.

Lúcia: Meu? – Perguntou, surpresa. A caixa era enorme. Sterling assentiu – Obrigado. – Agradeceu.

Lúcia precisou descer da cama. Ela tentou, desajeitada, com o papel cinza da loja, e Sterling esperou. A menina  se assustou quando a mão do pai foi ajudá-la. Sterling reduziu seu passo, na defensiva, e ela esperou. Logo a menina  ficou aparvalhada. Uma boneca de pano, enorme, com cabelos de lã amarela, se revelou. Era linda (a mais cara que Sterling havia achado). Lúcia nunca havia tido uma boneca. Muito menos uma daquelas. Sterling abriu a caixa e soltou a boneca das amarras, entregando-a a menina .


Lúcia: É minha? – Perguntou, abraçando a boneca se sentando de novo. Sterling viu ela passar a mãozinha nos cabelos da boneca, com cuidado.

Sterling: Toda sua. – Disse, satisfeito por ela ter gostado. Lúcia havia deitado a boneca em seu colo e a segurava, como quem segura um bebê.

Lúcia: Obrigada. – Disse, meio que Ashley ndo a boneca. Então se lembrou de algo – Eu não tenho nada pra te dar. – Confessou, e seu rosto ficou vermelhinho.

Sterling: Não precisa. Você está aqui. – Disse, tocando os cabelos dela. Tinha o mesmo toque que o dele, observou. – Você vai dormir comigo, aqui, até eu providenciar um quarto pra você. Você se importa?

Lúcia: Um quarto pra mim? – Perguntou, como se tivesse duvida que ele estava falando sério.

Sterling: É... é natal, eu não tive tempo de... – Ele coçou o cabelo, e suspirou – Mas logo vou dar um jeito.

Lúcia: E minha mãe? – Perguntou, quietinha. A menção do nome de Susana acendeu uma fúria que estava amortecida em Sterling, mas ele se aquietou. Tinha de se controlar perante a ela.

Sterling: Eu deixei um bilhete pra sua mãe, você viu. – Lúcia assentiu. Enquanto gritava horrores no ombro de Sterling viu ele rabiscar uma folha de um bloco, deixando-a presa na porta da geladeira – Ela vai saber onde te encontrar. – Garantiu. Sterling ansiava por esse momento. Novamente, se controlou. – É tarde, agora. Não está com sono? – Perguntou. Crianças, no normal, sentiam sono cedo.

Lúcia: Um pouco. Mas eu estou acostumada. As vezes mamãe chega tarde, eu tenho que cuidar dela. – Disse, natural, olhando o pai. Sterling contava mississipis a essa altura.

Sterling: Ok, vamos dormir? – Convidou. Lúcia assentiu. Sterling viu ela deitar a caixa da boneca do lado da cama, como um berço, e deitou a boneca com cuidado. Ele sorriu. – Venha. – Chamou, oferecendo os braços.

Lúcia hesitou, mas aceitou os braços do pai, que a carregou. Sterling se prometeu, naquele instante, que Lúcia teria uma vida normal, como uma criança normal, com colégio, brinquedos, proteção e hora de dormir. Ela se sentiu estranhamente confortável nos braços de Sterling, do mesmo modo como ele se sentiu bem ao aconchegá-la nos braços – era o apelo do sangue. Sterling puxou os lençóis da cama, deitando-se com ela e cobrindo os dois, protegendo-os do frio. Teria de rever todos os seus conceitos, mas faria de sua filha uma criança feliz. Ele acariciou o cabelo dela ternamente, repetidamente, enquanto a Ashley va. Lúcia se abraçou ao pai. Estava confusa. Não era acostumada a receber atenção, nem muito menos carinho. Mas lá estava aquele estranho, lhe prometendo uma vida diferente da que tinha, uma vida que ela já havia invejado das outras crianças. Ele acariciava ela de modo calmo, realmente ninando-a. Ela nunca tivera isso.

Lúcia: Obrigada, papai. – Murmurou, sonolenta, e Sterling não sabia o tamanho do agradecimento dela. Não era apenas pela primeira ceia de natal, pela primeira boneca, pelo primeiro carinho. Era pela vida que ele estava prometendo a ela. Sterling não disse nada, apenas beijou a testa dela. Logo Lúcia dormiu. Ele prosseguiu Ashley ndo-a, e descobriu que gostava disso. Então que assim ficasse.


Próximo Capitulo...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

PS. Eu Te Amo - Capitulo 60

As meninas levaram Lúcia pro quarto de Sterling. Era enorme, e absolutamente masculino. Uma enorme cama de casal, televisão de plasma, DVD, um freezer, closet, duas penteadeiras e dois criados mudos. Tudo em tons escuros, nada muito chamativo. A colcha da cama era cinza grafite. Demetria se sentou com Lúcia no colo, enquanto Ashley , Selena e Kristen conversavam sobre o que fazer.


Lúcia: É bonito. – Disse, acanhada, tocando a pulseira de Demetria. As safiras reluziam, imponentes, ali. Demetria, que estivera acariciando o cabelo da pequena, a olhou.

Demetria: Você gosta? – Perguntou. Lúcia assentiu. Se sentia bem com Demetria. – Meu marido que me deu. – Contou. Lúcia agora, mais tranqüila pela amiga nova, observava as safiras brilhando na grossa pulseira.

Lúcia: Seu marido? – Perguntou, distraída, o dedinho passando por cima de um safira – Ele te deu essas também? – Perguntou, tocando o pescoço de Demetria. Demetria gostava da inocência de Lúcia.

Demetria: Meu marido, sim. Me deu todas elas. – Ela tirou a cortina de cabelos, mostrando as safiras presas aos brincos – De presente de natal.

Lúcia: Mas porque você tem um marido? – Perguntou, confusa, pegando o pulso de Demetria de novo, brincando com o feche delicado da pulseira.

Demetria: Porque eu amo ele, e ele me ama. Quando isso acontece, as pessoas se casam. – Explicou, calma.

Lúcia: Mamãe disse que ter marido é ruim. – Comentou. A confusão na cabeça da menina  era mais que evidente, era óbvia. Susana a ensinara tudo errado, e agora ela estava perdida – Você gosta de ter marido?

Demetria: Gosto. – Respondeu, sincera.

Lúcia: Mas porque? – Perguntou, confusa.

Demetria: Quando você tem alguém que ama, sua vida passa a ser a dele. Se ele está feliz, você está feliz também. A dor dele é a sua dor. Os problemas dele são seus problemas. É como ter sua vida compartida de um modo bom, você se sente protegida, amada. – Explicou, sorrindo.

Suri: Se ele toma injeção eu tenho que tomar também? – Perguntou, temerosa, e as mãozinhas seguraram os braços. Demetria riu.

Demetria: Não, isso não. A regra não se aplica a tudo. Mas você é muito nova pra entender. – Disse, acariciando os dedos da menina . – Ter um marido é bom. Você nunca se sente só, e sempre tem alguém pra te abraçar quando você tem medo. Eu tenho marido, Nicholas  tem uma esposa, Ashley  vai se casar. Um dia você vai casar também. – Disse, sorrindo.

Lúcia: Deve ser bom, não ficar sozinho. – Refletiu, e Demetria sentiu pena – Mas não sei não. – Resmungou. Durou alguns segundos até ela falar de novo – Porque o meu pai não gosta de mim? – Perguntou, com a vozinha baixa.

Demetria: Ele ama você. Ele só está assustado, porque você ia cair no forno. Ele tinha medo de que você se machucasse, ou coisa assim. Porque ele te ama. – Explicou.

Lúcia: Mas ele tava bravo. Chamou a minha mãe de mentirosa.

Demetria: Ele estava nervoso, porque ela deixou você sozinha. Ele não quer que você fique só. Quando ele se acalmar, você vai ver que pai maravilhoso ele vai ser. Ele vai te dar o mundo, pequena. E nunca, nunca mais você vai sentir medo, porque ele vai sempre te proteger. – Disse, convicta. Sabia que quando o choque passasse Sterling assumiria seu papel de pai. Ele seria bom nisso.

Lúcia: Mamãe sai muito. Eu vi em um filme que passou na TV que no natal Jesus nasceu. Eu tinha que fazer alguma coisa pra comemorar. Você entende? – Perguntou, temerosa.

Demetria: É claro que eu entendo. Mas tenha um pouco de paciência com o seu pai. Isso é tão novo pra ele quanto pra você. – Pediu, e Lúcia assentiu – Ele fez uma festa enorme, pro aniversário de Jesus. Vamos lá fora, com eles?

Pra surpresa de Demetria, Lúcia se agarrou a ela. Parecia envergonhada. Demetria a tranqüilizou com as mãos, Ashley ndo-a, até que ela falou.

Lúcia: Não posso. – Murmurou, vermelhinha.

Demetria: Porque? – Perguntou, olhando-a.

Lúcia pegou a blusa usada, com os braços sujos pelo forno em que caíra, toda maltrapilha, os cabelos agitados por ter sido arrastada por Sterling. Então olhou Demetria, linda, reluzindo em safiras, os cabelos caindo em cachos perfeitos, e fez uma careta de auto desprezo.


Demetria: Entendo. – Murmurou, olhando a roupinha de Lúcia.

Lúcia: Entende? – Perguntou, confusa. Geralmente ela precisava falar muito pra que Susana entendesse o que ela realmente queria.

Demetria: Claro que sim. – Disse, carinhosa. – Sel. – Chamou, erguendo o rosto.

Selena: Sim? – Perguntou, olhando a amiga.

Demetria: Lúcia precisa de roupas novas. – Comentou.

Kristen: E sapatos. – Acrescentou.


Ashley : E de um bom banho, com direito a shampoo, e uma boa escova pra desfazer os nós que o Sterling fez.

Demetria: Vocês entenderam. – Disse, revirando os olhos, enquanto abraçava a menina , envergonhada.

Ashley : É noite de natal. Não há lojas abertas. – Ressaltou. Isso era um problema.

Selena: Eu sei de uma. – Todas a olharam. Selena suspirou – Eu tenho um amigo, que tem um amigo, que conhece um cara que me deve um favor. Acho que eu consigo uma boa loja. – Garantiu.

Demetria: Compre o máximo que puder. – Avisou.

Kristen: Eu vou junto. Tenho experiência com compras, sei do que ela vai precisar, e exatamente como ela vai precisar. – Disse, olhando as unhas. Todas a olharam – O que, acham que eu fiz 5 anos de moda pra só guardar um diploma? – Perguntou, revirando os olhos.

Demetria: Então Selena vai atrás do cara que deve o favor, e Kristen providencia tudo. Amanhã podemos comprar mais. Ashley  me ajuda com o banho. – Ashley  assentiu. Todas ficaram paradas. Demetria suspirou – Ladies, let’s go. – Disse, monótona.

Kristen saiu em disparada com Selena, após pegar a medida das roupas de Lúcia. Descobriram que Nicholas  saíra as pressas, e disse que não voltaria. Ashley  carregou Lúcia pro chuveiro. O banheiro de Sterling não ajudou.


Ashley : Só tem produtos pra homem aqui! – Gemeu, exasperada.

Lúcia: É gostoso. – Comentou, contente, cheirando um pote de shampoo. Demetria e Ashley  fizeram uma careta. Não queriam pensar em que produtos Lúcia teria usado antes.

Lúcia terminou risonha, em uma banheira cheia de espuma. Ashley  tirara a blusa, evitando molhá-la, e se sentou na borda da banheira, com um sutien branco, esfregando os cabelos de Lúcia, que soprava espuma pra frente. Demetria sorriu, saindo do banheiro. Joseph estava parado em um canto, vendo uns catálogos com modelos aéreos que Sterling tinha. Demetria o abraçou pelas costas, beijando seu pescoço. Ele sorriu deliciosamente, inclinando a cabeça pra trás. Ele enlaçou a cintura dela com um braço, enchendo seu rosto de beijos.


Joseph: Você demorou. – Disse em meia voz, beijando o pescoço dela.

Demetria: E ainda não terminamos. Mas vai resultar bem. Eu acho. – Disse, manhosa nos braços dele.

Joseph: Se você está tentando, não tenho duvidas que resultará bem. – Disse, mordendo a orelha dela – Quero ir logo pra casa. – Disse, com a voz travessa, mordiscando atrás da orelha dela. Demetria riu, e selou os lábios demoradamente com os dele.

Demetria: Quer? – Perguntou, sapeca, sentindo as mordidas dele em seus lábios.

Joseph: Quero. – Confirmou, entrando no jogo dela.

Demetria: Porque? – Perguntou, derretida dentro dos braços dele.

Joseph: Estava imaginando como você vai ficar, despida das roupas, apenas com as safiras. – Ele viu a pele dela se arrepiar – Ah, sim, eu imaginei. E desfrutei muito da imaginação. – Confessou.

Demetria: Eu vou terminar meu trabalho, antes que você me agarre aqui. – Disse, se separando dos braços dele. O comentário lhe dera ganas.

Joseph: Não me parece uma má idéia. – Brincou, e ela riu – Eu te amo. – Lembrou, e ela sorriu, beijando-o uma ultima vez, e se afastando. Joseph viu ela caminhar tranquilamente, os cabelos dançando as costas. Depois voltou sua atenção ao catalogo que olhava.

Demetria ia voltar pro banheiro, mas viu Sterling em um canto afastado, com um cigarro na boca, pensando. Justin   conversava com Robert em um sofá afastado na sala. Ela se aproximou dele.


Demetria: Está bem? – Perguntou, e ele sorriu de canto, soprando a fumaça pra cima.

Sterling: Confuso. Um cego, plantado no meio de um tiroteio. – Disse, mas Demetria viu que estava mais calmo.

Demetria: Ela é adorável, Sterling. Tente ser receptivo com ela, e verá. Ela já o ama. – Sterling o olhou, confuso.

Sterling: Me ama? – Perguntou, antes de tragar o cigarro novamente.

Demetria: Você oferece a ela toda uma vida que Susana a negou. Uma vida normal, feliz. Conforto, segurança, amor, atenção. A vida de uma criança normal. Com amiguinhos, uma escola, um pai que a ame, que se importe com ela. Você pode lidar com isso, Sterling. Vai amá-la, assim que tentar ver a preciosidade que ela é.

Sterling: Demi, há algum tempo atrás eu era Sterling Pevensie, bem sucedido, buscado pelas mulheres, independente, livre. Agora eu sou Sterling Pevensie, bem sucedido, e pai. – Ele tragou o cigarro, e Demetria viu os dedos dele tremularem com o cigarro – É muito pra mim. Eu não sei se sou capaz.

Demetria: Eu vou ajudar você em tudo o que for necessário, e você vai dar a ela a vida que ela merece. Apenas dê a ela a oportunidade de se aproximar, Sterling. Vai amá-la, eu te garanto.

Sterling: Não me deixe sozinho nisso. Eu não sei como agir. – Admitiu.


Demetria: Não vou deixar. Eu vou assumir o papel feminino, até você conseguir segurar as rédeas sozinho. Não é tão difícil como crês. Eu prometo, eu vou estar presente, sempre. – Disse, apanhando a mão dele. Estava fria como gelo. – Quando ela vier pra jantar, seja mais atencioso com ela. Ela está receosa, insegura. Tente se aproximar. – Sterling assentiu, agradecido – Sem o cigarro, se der. – Disse, sorrindo. Sterling riu.

Sterling: Obrigado. – Agradeceu, sincero.

Demetria: Um dia eu vou cobrar de volta. – Brincou.


Nessa hora Kristen e Selena voltou, e eram só sacolas. Selena cambaleou pela porta, rindo, e todos olharam. Robert sorriu torto vendo Kristen rir gostosamente, se equilibrando com tudo.

Sterling: O que é isso?

Demetria: Ela não tinha roupas, não tinha nada. – Lembrou, olhando o furacão de sacolas tentar entrar no apartamento. Era típico de Kristen. – Não se preocupe. Amanhã chega bem mais. – Brincou, indo ajudar com as sacolas, e Sterling riu.

Por enquanto estava bem. Agora falta saber se isso ia dar certo.

Proximo Capitulo...

PS. Eu Te Amo - Capitulo 59

Quando Joseph dirigiu pra casa de Sterling aquela noite, a pulseira prateada brilhava fracamente em seu pulso. Ele tinha a cabeça longe. Aquilo era bem típico dela. Como se ele precisasse de algo a mais pra pensar nela, uma vez que já pensava nela cada vez que seu coração batia. Joseph desceu na frente, pra se anunciar. Se admirou por o porteiro pedir o nome dele e da esposa, pois Sterling havia saído, mais deixado uma lista dos que estavam autorizados a subir. O nome dele, e de Demetria estava lá, logo seu carro entrou no prédio. Chegaram à casa de Sterling de mãos dadas, ele com os dedos enlaçados com os dela, em uma tentativa de aquecer a mão fria dela. Ele usava um sobretudo preto, e ela, um bege. Chegando lá estavam Justin  , Nicholas , Selena, Robert e Kristen. Demetria apertou a mão de Joseph, controlando-o, mas ele parecia completamente calmo.

Demetria: Onde está Sterling? – Perguntou, enquanto permitia que Joseph tirasse seu casaco.

Justin  : Sumiu. Deixou um recado, disse que não demorava. – Disse, descontraído, se aproximando de Demetria. Selena e Robert observaram a cena, divertidos – Está deslumbrante. – Elogiou, sorridente.


Joseph: De acordo. – Disse, a voz cortante, se revelando de trás dela, dobrando o casaco dela. Em seu braço.

Justin  : Você é...? – Tentou recordar o rosto, mas era desconhecido.

Joseph: Joseph Jonas. – Disse, sorrindo deboJustin o, enquanto tirava seu sobretudo. Seus músculos pareceram ainda mais destacados na camisa, como em uma ameaça.

Demetria: Meu marido. – Completou a apresentação, quase rosnando pra Justin   se afastar. Mas este sorriu.

Justin  : Justin   Pevensie, prazer. – Se apresentou, tranqüilo. – Devo dizer que se vê preciosa hoje, Demetria. – Elogiou, na maior cara de pau.

Demetria arregalou os olhos azuis, e Joseph ergueu a sobrancelha, admirado com o descaramento. Justin   parecia completamente à vontade. Joseph sorriu irônicamente, mas não houve oportunidade pra Joseph responder. Não houve, porque gritos vieram do corredor. Todos viraram o rosto, confusos, olhando pra porta. Os gritos se tornavam cada vez mais próximos. Kristen, pequenininha, se abraçou a Robert, apreensiva. Selena apenas olhava, o rosto confuso. A porta se abriu, e Sterling apareceu, a fonte dos gritos se debatendo em seu ombro. Ele fechou a porta, e largou a menina  no chão. Seu rosto estava afogueado, e ele ofegava, raivoso. Lúcia tampouco parecia se intimidar com a fúria do pai. Se endireitou no chão, encarando-o de volta, tão furiosa quanto ele. Era claro o que havia acontecido ali; ele havia seqüestrado a menina .

Justin  : Eu não acredito que você fez isso. – Rosnou, a pele branca feito papel.

Ai foi que o caos reinou. Lúcia partiu de tapas pra cima de Sterling, que ia revirar, só que Justin   entrou no meio. Nicholas  pegou um telefone, discando alguns números rapidamente. Robert entrou no meio, pra segurar Lúcia, e Kristen olhava, os olhos arregalados. Ashley  e Nolan , Demetria e Joseph observavam a cena, incrédulos.

Robert: AGORA CHEGA! – Rugiu, apanhando Lúcia pelo casaco, erguendo-a do chão e afastando-a de Sterling.

Justin  : VOCÊ BEBEU? – Perguntou, empurrando Sterling. O louro estava furioso.

Sterling: ELA ESTAVA SOZINHA! QUE TIPO DE MÃE DEIXA A FILHA DE 5 ANOS SOZINHA NA NOITE DE NATAL, JUSTIN  ?!

Lúcia: Mamãe teve problemas pra resolver. – Defendeu a mãe, ainda sendo segurada por Robert. Era incrível como se parecia com Sterling, até na cor vermelha da raiva era igual.

Joseph: Imagino o tipo de problema. – Disse pra si mesmo, observando. Demetria beliscou ele que riu, beijando o rosto dela.


Justin  : Por isso você joga ela nas costas, e rouba ela de casa? Não passa pela sua cabeça que Susana vai vir atrás dela? – Rosnou.

Sterling: Me deixe te dizer o que ela estava fazendo quando eu entrei na casa, Justin  . – Disse, tirando os cabelos louros do rosto – Estava preparando um peru. Debruçada, dentro do forno ligado. – Disse, e sua voz era um silvo – Se desequilibrou sozinha. Se eu não a alcançasse... – Ele não terminou, afastando a idéia de sua cabeça. Lúcia se abraçou, querendo ocultar as marcas que as grades do forno deixaram em seu casaco, antes de Sterling aparecer do nada e agarrá-la. Em seguida, sem dizer nada, apenas xingando, ele a jogou nas costas e saiu – Deixe que Susana venha. – Disse, como se ansiasse por esse momento.

Lúcia: Pois é, minha mãe vai fazer PICADINHO DE VOCÊ, E EU VOU ACHAR GRAÇA! – Gritou, querendo partir pra cima de Sterling de novo, sendo impedida por Robert.

Sterling: NÃO GRITA COMIGO, QUE EU SOU SEU PAI! – Rugiu, mirando a meAshley  de novo. Justin   entrou no meio.

Lúcia: NÃO É, NÃO! MINHA MÃE DISSE QUE MEU PAI MORREU! – Gritou, a vozinha fina quase histérica de raiva.

Sterling: POIS ME DEIXA TE CONTAR UMA NOVIDADE: SUA MÃE É UMA GRANDE MENTIROSA! – Rugiu, raivoso.

Lúcia: NÃO CHAMA MINHA MÃE DE MENTIROSA! – Gritou, e a voz fina estava começando a fazer eco na cabeça de Nicholas , que começava a se irritar, enquanto tentava falar ao telefone. Ela se lançava, querendo bater no pai de qualquer forma, sendo segurada com facilidade por Robert.

Justin  : CHEGA, OS DOIS! – Gritou, apartando – Sterling, quieto! – Ordenou, empurrando Sterling, o louro recuou, os olhos azuis raivosos. – Lúcia. – Disse, se abaixando. A menina  ofegava, presa pelo casaco, mas não gritou com o tio. – Não grite assim com ele. Ele é mesmo seu pai. – Disse, a voz tão na defensiva quanto era possível.

Lúcia: Mas minha mãe disse que meu pai tinha morrido. – Disse, de cara fechada. Não queria que Sterling fosse seu pai.

Justin  : Sua mãe... se enganou. – Disse, ameno – Ele é seu pai. E ele não é assim o tempo todo, ele só está nervoso. – Justificou. Lúcia olhou pra Sterling de cara fechada.

Kristen: Er... Lúcia, certo? – Lúcia assentiu – Porque você não vem comigo e com elas, - Apontou pra Selena, Ashley  e Demetria – Se aprontar pra ceia, e deixa os rapazes conversarem sozinhos um pouco? – Lúcia assentiu, caminhando pra Kristen.

Kristen olhou pro marido, insegura, mas ele sorriu torto e piscou pra ela, em aprovação. Logo as mulheres haviam saído da sala. Só que o silêncio continuou; ninguém fazia idéia do que fazer.

próximo Capitulo...

PS. Eu Te Amo - Capitulo 58

Demetria: Bom di... que diabo é isso, gente? – Perguntou, vendo Justin   apossado em sua mesa, sentado todo esparramado, com os pés em cima da mesa.

Pra resumir, Justin   já se sentia em casa.


Ashley : Inevitável. – Descreveu, dando de ombros.

Justin  : Pensei que não viria mais. Estava começando a me desesperar. – Disse, se levantando e indo até Demetria. Ela recuou, rindo, e foi pra sua cadeira, largando a bolsa em cima da mesa.

Demetria: Bela cara, Sterling. – Disse, vendo as olheiras de Sterling.

Sterling: Não dormi nada. – Assumiu, passando a mão nos cabelos. – Ao contrário de alguém. A propósito, quem disse que você ia ficar na minha casa, Justin  ? – Perguntou, com uma careta.


Justin  : Eu disse. Sou o irmão mais velho, eu digo as coisas. – Disse, óbvio. Demetria, Selena e Ashley  riram. – Porque demorou, minha flor loura? – Perguntou, se virando pra Demetria de novo.

Demetria: Digamos que eu estava ocupada. – Disse, franzindo o cenho.

Selena: O marido dela deve ter criado problemas. – Alfinetou.

Justin  : Sim? – Perguntou, atencioso.

Demetria: Joseph me... criou várias coisas hoje. Mas te garanto, nenhuma delas pode ser considerada um problema. – Retribuiu, com um toque de malicia na voz. Seu humor estava ótimo. Ashley  riu. Até Sterling, saindo de seu estado catatônico, não agüentou.

Sterling: Ai, papai. – Zombou, rindo e segurando o estomago.

Selena: Ah, não? – Seguiu, cética.

Demetria: Absolutamente. – Negou, mordendo a língua – Pra lhe ser sincera, teria passado o dia todo... resolvendo meus problemas com ele. Mas estava começando a dar câimbras. – Ela piscou pra Selena. A ruiva mostrou a língua. Ashley  ainda ria. Justin   assoviou.

Demetria riu, baixando os olhos pros envelopes em sua mesa. Não conseguia fechar o sorriso do rosto. Joseph lhe causara mais dois orgasmos arrasadores após o café da manhã, um ainda no chão da sala e outro no banho. Ela estremecia só de lembrar. Era incrível como sexo com ele sempre parecia novo, como se nunca fosse se desgastar. Logo, a teoria das câimbras era verdadeira. Ela adoraria ter ficado mais, como ele insistiu categoricamente, mas seu corpo protestava pelas várias doses de sexo, seguidas por uma noite no soalho desconfortável. Logo, ela veio trabalhar. Colocara uma calça jeans escura, saltos pretos, uma blusa de botões branca e um cachecol cinza. Precisava do cachecol porque seu pescoço exibia marcas que ela não estava disposta a exibir. Eram delas, nada mais. Mas parece que alguém mais queria ver...

Justin  : Interessante. – Disse, a voz surpreendentemente perto, e ela viu que ele puxara seu cachecol com uma caneta, desenrolando-o, revelando o pescoço marcado. A boca de Joseph estava espalhada em vários cantos da pele pálida. E a voz de Justin   era desgostosa ao ver o quadro.

Demetria: Justin  ! – Reprovou, jogando o cachecol no pescoço de novo. Sterling literalmente se dobrava de rir, a cor voltando ao rosto cansado. Selena apenas olhava, o olhar claramente reprovador. Ashley  olhava, achando graça. – Ande, saia daí! – Disse, se levantando. Justin   saiu, rindo.

Justin  : Menina  má, menina  má. – Reprovou, balançando a cabeça.

Demetria: Privacidade pra que, né? – Resmungou, voltando aos seus papéis. Ela abriu a bolsa, apanhando sua agenda. Nem viu Justin   passar por detrás de sua cadeira.

Justin  : P.S. – Começou, e Demetria ergueu a cabeça – Ele ama você. – Disse, entregando o pequeno cartão a ela. Demetria fechou a cara, enquanto Sterling fazia graça (Own, ti nindo.) – Caiu da sua agenda. – Justificou. Demetria apanhou o cartão com carinho, mas querendo fincar as unhas em Justin   por tê-lo lido em voz alta.

Demetria: SAIA DE PERTO DA MINHA MESA! – Grasnou, e Justin   correu, rindo. Mas ela sorriu, se sentando, vendo a caligrafia dele no “P.S.: Eu te Amo.” do cartão. Era incrível como ele conseguia esconder o cartãozinho em lugares que ela nunca achava que ia encontrar.

Mas ela começava a acreditar nisso. Agora, mais do que nunca.

O problema é que Susana não apareceu. Sempre que Justin   ia com Sterling, Lúcia estava sozinha. Uma vez chegaram a ver Sustiffany sair, mas abordá-la no meio da rua não era o objetivo. O natal chegou. A reunião na casa de Sterling continuava de pé. Os Jonas continuavam em um clima bom, era estável. Joseph vestia uma calça social, creme, e uma blusa abrigo, bege. Demetria insistira em que ele não devia usar nada social, e ele obedecera. Ela apareceu com uma camisa de lã azul marinho e uma calça clara, os cabelos soltos.

Joseph: Ressalta seus olhos. – Observou, sobre a blusa, quando ela se anunciou pronta. Mas eu posso ajudar. – Disse, tirando as mãos dos bolsos.

Demetria: Está tão ruim que precisa de ajuda? – Perguntou, franzindo o cenho. Joseph riu.

Joseph: Não seja tola. – Ele abriu uma gaveta de uma mesinha da sala. Demetria observou.

Joseph estendeu pra ela uma caixinha pequena, embrulhada em um papel prateado. Ela sorriu, abrindo o pacote. O veludo preto se revelou por baixo. Demetria ia protestar pela jóia desnecessária, mas não era uma jóia. Eram três. Demetria engoliu a voz, não achava de modo algum. Um par de brincos, uma gargantilha e uma pulseira. Safiras. Ela olhou o conjunto, meio abobalhada, como quem toma um tapa sem saber de onde veio. A voz dele se revelou surpreendentemente perto.


Joseph: Não são tão bonitas como seus olhos, mas vão ajudar. – Disse, a mão pegando os dois brincos na caixinha. Demetria ergueu os olhos e viu ele erguer as mãos, por debaixo dos cabelos dela, e ela sentiu o ouro do brinco passar pelos furos da orelhas dela. – Ma Belle? – Perguntou, pegando a gargantilha. Haviam diversas safiras cravadas em uma armação de prata. Ele pôs a gargantilha, que ficou como uma coleira azulada no pescoço dela. Os olhos dela estavam cada vez mais destacados.

Demetria: Você... é louco. –Disse, quando ele pegou a mão dela delicadamente, pondo a pulseira. Joseph sorriu, prendendo o feche delicado.


Joseph: Por você. Ficou linda. – Disse, observando o rosto dela. Parecia iluminado.

Demetria: Não vou te dar meu presente. – Disse, meio rouca.

Joseph: Por...?

Demetria: Não é justo. – Alegou, exasperada.

Joseph: No ultimo natal, eu estava sozinho. Sozinho, e sem perspectiva, rodeado por estranhos. – Disse, e Demetria o olhou, quieta. Passara todos os natais depois dele sozinha, se afogando em vinho, muitas vezes chorando sua dor sufocada. Mas não diria isso. – Este ano, porém, eu estou aqui. – Ele pegou o rosto dela entre as mãos – E nada poderia me fazer tão feliz, Ma Belle. – Ele encostou a testa na dela, aspirando o perfume de Demetria. O coração dela dava guinadas altas dentro do peito a cada vez que ele se aproximava - Estar aqui, em casa, ao seu lado. É você, meu maior presente. – Disse, e selou os lábios com os dela.

Demetria: Continua parecendo humilhante. – Disse, tirando um pequeno saquinho de veludo de veludo do bolso da calça.

Era uma pulseira de prata pura. Delicada, nada grosso ou chamativo. Nada como um conjunto de safiras. Demetria queria explicar que quando fora comprar um presente pra ele, pretendia algo melhor, mas se encantara com aquela pulseira. Mas mal conseguia falar.


Demetria: Eu não... não ia comprar isso. Mas quando eu vi pensei que isso você poderia usar sem ser percebido, o tempo todo. Seria algo... – Ela tentava encontrar as palavras, olhando a pulseira em sua mão – Algo que você ia poder levar consigo o tempo todo, e ia se lembrar de mim. Não que você seja obrigado a usar o tempo, é claro, só quando quiser, mas eu... – Ele riu, calando-a.

Joseph: Amo você. – Disse, sorrindo da exasperação dela. Ele se aproximou, beijando-a, e acalmando-a de sua exasperação. Demetria se entregou nos braços do marido de bom grado, retribuindo o beijo carinhoso. Isso sim, parecia certo.

Proximo Capitulo...

PS. Eu Te Amo - Capitulo 57

Joseph acordou antes de Demetria, no dia em que se seguiu. Seu blackberry vibrava dentro do bolso da bermuda, causando um barulho irritante no soalho do chão. Ele estendeu a mão, tateando o chão, ainda de olhos fechado, procurando a bermuda. Quando achou, deu um murro na protuberância que era o blackberry, e ele parou de vibrar. Joseph trouxe o braço de volta, tornando a abraçar Demetria, que dormia profundamente. Estendeu o rosto, procurando o pequeno adorno que Demetria comprara certa vez, que continha um relógio. Já estavam atrasados. Ele deu de ombros e tentou dormir de novo. Não conseguiu. Então se pôs a acariciar ela, levemente. Estavam deitados de conchinha, ele por trás, abraçando ela, de modo que o corpo dela ficava por cima de seu braço. Ela segurava o braço dele com as mãos moles, o rosto pendendo ali. Ele esticou a outra mão, abraçando-a pela barriga, e aninhando-a em seu peito. Aspirou o perfume dos cabelos dela, e se sentia em paz. Ele passou um bom tempo beijando o ombro nu dela, até que encontrou a marca de um beijo (lê-se chupão) dele, recente, vermelho vivo na pele dela. Sorriu, e beijou a marca com carinho. Ele lhe beijou o pescoço, os ouvidos, o cabelo... até que ela se espreguiçou, sorrindo.

Demetria: Hum... – Gemeu, se esticando. Ele sorriu, esperando. – Bom dia. – Desejou, os olhos azuis se abrindo, ainda fracos pelo sono.

Joseph: Bom dia. – Ótimo dia, aliás. Chovia horrores lá fora, mas quem se importava?

Demetria: Isso seria potencialmente mais romântico se estivéssemos na cama. – Disse, se deitando de barriga pra cima, as costas doloridas pela noite no chão duro. Joseph riu, se apoiando no cotovelo.

Joseph: Fizemos aqui. – Lembrou, beijando o queixo dela – Nada mais justo que ficarmos aqui.

Demetria: Que horas são? – Perguntou, olhando em volta.

Joseph: É... tarde. – Disse, um sorriso brincalhão nascendo em seu rosto.

Demetria: Porque não me chamou? – Perguntou, franzindo o cenho.

Joseph: Estava linda demais dormindo. Parecia um anjo. – Disse, erguendo a mão pra desfazer o nó entre as sobrancelhas dela – Pensei que podíamos ficar mais.

Demetria sorriu, passando a mão no rosto dele. Tinha medo do vazio que sentiria quando o apartamento se pusesse vazio, outra vez. Joseph beijou a mão dela, carinhoso, e ela ergueu o rosto, oferecendo-se pra ser beijada. Ele sorriu e baixou os lábios, tomando a boca dela. Ambos estavam sonolentos ainda, e o beijo era calmo, doce. Demetria o abraçou, passando as mãos na costas dele, sentindo a pele quentinha, dormente. Joseph segurou o rosto dela com uma mão, aprofundando o beijo. Demetria o puxou, carente, pra cima de si. Joseph sorriu, deitando-se por cima dela de novo. Gostava quando ela ficava receptiva assim.
Não haviam nem 12 horas que haviam transado, e lá estava ela de novo. Não houve todo o fogo da noite anterior; era apenas a necessidade de se sentir, de se beijar. Demetria sentiu a mão de Joseph abrindo suas pernas, se posicionando ali, e envolveu a cintura dele com as pernas. Foi ai que o blackberry voltou a vibrar. Era irritante.

Joseph: Eu juro que eu já tentei quebrar. – Disse, erguendo a mão pra dar outro murro no blackberry. Demetria riu.

Demetria: Quer atender? – Perguntou, sorrindo. Joseph olhou pra ela, um tom de deboche no rosto.

Joseph: Sei de algo melhor pra fazer. – Disse, beijando a maçã do rosto dela.

Então ele a invadiu, e ela cravou as unhas nos braços dele. Joseph parou um instante pra ouvir a inspiração áspera com a qual ela sempre o acolhia, isso nunca mudava. Ele a encarou, e viu seu próprio desejo nos olhos dela. Demetria inclinou o rosto, buscando a boca dela, e ele se pôs a mover-se. Tempos depois, como na noite anterior, os dois estavam desmontados de novo. Joseph riu de leve.


Demetria: O que há? – Perguntou, manhosa, se abraçando a ele.

Joseph: Eu acho que vou mandar alguém examinar seus pés. Talvez com uma operação, isso melhore. – Disse, se referindo aos dedos dormentes dela, novamente, e sorrindo pra ela. Demetria fez bico, e ele beijou o biquinho dela.

Demetria: Planejou algo, ou pretende passar a manhã toda transando comigo? – Perguntou, o olhar questionador. Joseph riu da objetividade dela.

Joseph: Ma Belle, se pudesse passaria a vida inteira transando com você. – Confessou, passando a mão no rosto dela – Mas hoje, o chef vai preparar o café. – Disse, e montou uma careta convencida. Demetria arregalou os olhos, rindo em deboche depois.

Demetria: E eu? – Perguntou, olhando-o.

Joseph: Você... – Disse, se virando pra pegar a cueca no chão, vestindo-a em seguida – Fica aqui, bem linda, me esperando voltar com a bandeja. – Disse, satisfeito. Demetria virou o rosto pro lado, procurando sua roupa. Joseph franziu o cenho, e segurou os braços dela – Epa. Não. – Reprovou.

Demetria: Não é justo. – Reclamou – Você se veste, e eu não?

Joseph: Você fica mais bonita assim. – Disse, selando os lábios com os dela, enquanto apenas cobria os seios dela com o edredom. – Ó. – Disse, apanhando um travesseiro que trouxera na noite anterior mais deixara no sofá, e pôs debaixo da cabeça dela. – Fica ai, bonitinha. – Disse, selando os lábios dela, e foi fazer o café. Demetria riu, arrumando o edredom.

Demetria ficou parada um tempo, até que o blackberry começou de novo. Ela riu.

Demetria: Amor, seu blackberry! – Disse em voz alta, sentindo o cheiro de café vindo da cozinha. Ouviu Joseph responder um “Tenta quebrar!” e riu.

Ela apanhou o blackberry. Eram atualizações de transações da empresa dele. Demetria viu as trocentas mensagens não lidas, e clicou pra arquivá-las. O processo terminou, e ela ia pôr no bolso dele de novo, até que o inicio de algumas mensagens chamou sua atenção. Não havia sombra de sorriso em seu rosto enquanto abria a mensagem. O colocaria pra fora. O colocaria agora. A primeira mensagem era de alguém, possivelmente de uma mulher.

Estou voltando à Londres logo. Podemos marcar pra nos encontrar. Tenho pensado muito em você. Sei que faz anos desde a ultima vez, mas sinto sua falta. Beijos, S.

Demetria sentia a boca do estomago fechar. Os dedos trêmulos buscaram a resposta da mensagem. A resposta dele era curta e grossa.

Não posso. Sinto muito.

Ela respirou fundo, buscando o retorno da resposta dele.

Não pode? Por quê? Aconteceu alguma coisa?

A resposta dele tornou a ser curta.

Eu sou casado.

Ela insistiu.

Isso não nos impediu da ultima vez, qual o problema?

Ele não cedeu.

Agora é. Eu amo minha esposa. Sinto muito.

Ela não desistiu.

Tem certeza?

Ele encerrou a conversa.

Absoluta.

Demetria buscou o nome do contato, mas ele havia bloqueado mensagens vindo dali. Ela insistiu, mas não tinha jeito. O contato estava bloqueado, e as mensagens marcadas pra irem pra lixeira. Ela fechou as mensagens e pôs o blackberry de volta no bolso da bermuda dele.
Sua cabeça trabalhava a mil, mas havia um breve sorriso no canto da boca dela. Ele rejeitara a outra. Disse que a amava. Isso era bem comprobatório. Demetria se abraçou, ainda sorrindo, pensando em mil coisas. Ele realmente a amava, ele não a trairia mais. Essas frases passeavam em sua cabeça, e ela sentia a confiança voltando, como sendo puxada por um fio frágil. Então ele voltou.

Joseph: Do que está rindo? – Perguntou, confuso, vindo com a bandeja.

Demetria: De você. – Disse, e ele ergueu a sobrancelha – Venha, sente aqui. – Disse, se sentando.

Joseph: Não me sai tão mal. – Protestou, se ajoelhando, e pousando a bandeja na frente dela.

Demetria olhou a bandeja. Havia um bule, com café, outro com leite, um potinho com açúcar. Torradas, queijo cremoso, ovos com bacon. Um pote com morangos, um prato com maçãs fatiadas. Ela sorriu.


Demetria: Isso você não fez. – Disse, apanhando um croissant perto das torradas.

Joseph: Eu esquentei. – Rebateu, se sentando.

Demetria: Hum... – Disse, após morder um morango – Só falta uma coisa.

Joseph: O que? – Perguntou, se revoltando.

Mas ela fez biquinho, estendendo o rosto pra ele. Joseph sorriu e se inclinou pra beijá-la. Estava tudo bem.

Próximo Capitulo....